quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Katrina

Oh my Katrina
Não deixe essa sina
Levar-te de mim
Lavar-te assim

Oh my Katrina
Esse fardo pesado
Que me choras calado
Num beco sem fim a
Levar doces lamentos
quiça' té desalentos

Não cabem mais rimas
Nem filas da crina
Minha queria Katrina

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A última chance

Deitado sobre a cama, ele olhava para o teto. Seus olhos castanhos mostravam a tristeza da solidão daquela imensidão fria como o inverno nórdico. Sem demorar, senta na cama e sua camisa amarrotada, seu jeans surrado, mostravam que ele ficara deitado durante horas a espera de alguma resposta do destino - ou só de palavras que iriam ser ditas em vão.
Ele se levanta olha para o espelho depois de caminhar pelo quarto geométrico e se vê sozinho. Lembra de seu amor - que esta em algum lugar. Uma lágrima sai de seu olho e toca no chão, mas não solitárias, outras a acompanham. Mesmo com as mãos tentando enxugá-las - ou segurá-las, era em vão. Por fim se senta abraçando as pernas em posição fetal, como desejava ser - ou sempre estar.
Ele se levanta novamente, e vê sua dama deitada na cama adormecida através do espelho, do outro lado, no inatingível. Suas lágrimas sem controle molham suas mãos e deixam marcas de dedos no vidro que aos murros tentava acordá-la. Ela enfim acorda e caminha até a barreira e o toca, todos os pelos do braço dele dançam e calafrios percorrem sua espinha.
Ela pisca algumas vezes a leva a mão ao peito - como eles sempre faziam para reconfortar uns aos outros - segurando um velho medalhão com suas respectivas fotos.
Como aquele sentimento era reconfortante, ela toma coragem. Ela caminha até a cabeceira de sua cama e pega um pequeno estilete, que por sua vez desenha com sangue o seu braço todo, sujando a. Ele preferia não olhar - talvez como uma eutanásia, mas preferiu só segurar seu cordão com os punhos cerrados.
Quando a mão suja de sangue toca o vidro onde estava a mão do jovem, a barreira trinca, racha e se transforma em milhares de fragmentos.
Finalmente os dois se encontraram depois de tudo. A única coisa que iria atrapalhar ainda estava para vir. A jovem, pálida, estava nos braços de seu amado, respirou fundo e reuniu suas últimas forças.
Ele pega a cabeça dela e leva até seu peito e a sussurra - como se toda a galaxia os assistissem.
- Deixe eu te sentir uma última vez. É a última chance de sentir novamente.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 4

  Depois de sair com muito custo da nave, Marlon sentiu o cheiro do ambiente e se surpreendeu ao ver que tanto por fora, quanto por dentro, a Terra era parecida. Pra sua sorte - ou azar - ele tinha caído em um lago perto da uma cidade vizinha a que ele supostamente moraria. O barulho do meteorito atraiu algumas pessoas curiosas que passavam por ali na hora e todos olhavam assustados para ele como se ele fosse alguém de outro mundo - e fato era.
  Quando conseguiu disfarçar a câimbra que sentia, ele caminhou até uma loja de conveniência na esperança de conseguir comprar algo com seu dinheiro que acidentalmente levou no dia do embarque. Era estranho como tudo naquele mundo parecia mais vívido, mas saudável, mas ao mesmo tempo perturbador. Poucos carros passavam na rua - mesmo ele sabendo que aquele era um bairro próximo ao centro - ele adentrou a loja e pegou uma pequena garrafa de água mineral. O atendente o olhou e ficou assustado.
  - O que aconteceu com você? - disse o atendente.
  - Eu fiz uma viagem longa e perturbadora. - mas ao levantar o rosto ele se assustou. Não bastando tudo que ele tinha visto ser um reflexo invertido da Terra, as pessoas eram também. O atendente, por ele ter ido naquela loja poucas vezes, era mais atencioso. Então ele perguntou.
  - Qual o nome desse planeta?
  O atendente gargalhou e disse em alto e bom som.
  - Arret, Porque?
  - Poderia usar seu telefone?
  O atendente permitiu e ele ligou para polícia. Em poucos estantes uma viatura apareceu e o levou para a delegacia para ele contar o que tinha acontecido nas últimas horas. Algumas pessoas deram credibilidade - talvez por causa das roupas - outras riram e falaram para ele parar de se drogar.
   Quando ele finalmente saiu da delegacia, pegou um taxi que o levou até o comitê de saúde pública. Chegando lá encontrou a recepcionista que o encaminhou para o setor de pesquisas, sempre contando sua história de vida.
   Quando ele finalmente contou pela milionésima vez, o pesquisador chefe acreditou e contou a ele que as pesquisas deles estavam começando a vasculhar fora do planeta. Não só isso, como também contou a ele que naquele mundo, pessoas com aquela doença viviam muito mais tempo que as pessoas sem, e, que as pesquisas estavam tentando a desenvolver em laboratório para que todos pudessem se infectar e viver mais.
   Marlon ouviu tudo com o queixo caído e por fim caiu em prantos. Depois de se acalmar ele respirou fundo e pediu ao cientistas.
  - Quero saber... Podem fazer uma cura?
 O cientista gargalhou e por fim falou.
  - Já temos a cura.
  Foi então que tudo transformou-se. Ele tinha a solução, mas não sabia se deveria tomá-la, ou se deveria saber como criá-la e voltar para sua vida. O medo e a falta de esperança tomou conta dele, mas evitando de pensar naquilo saiu do laboratório de pesquisas. Haviam pessoas que ele tinha que falar ainda.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Equilíbrio

  Acordei de manhã, pensando que nada importava. A escuridão reinava no meu território - como sempre reinou - impetuosa e envolvente, mas pequeno feixes de luz lutavam para iluminar dentro do ambiente que eu estava como uma aura branca refletida na parede por debaixo do tecido do blackout.   Era um tecido empoeirado, além de pesado. seu cheiro era de plástico velho, tão velho que o branco estava amarelado.
  Eu tive de hesitar em mexer nele, afinal não sabia o que tinha do outro lado, não sabia se seria um mundo compreensivo ou obscuro, não sabia se seria luz ou escuridão, não sabia de nada, nada. Tirei palavras de força e coragem do fundo de mim, alguém lá dentro sabia que tinha que levantar e não deixar as 8 pernas tecessem teias em mim. Andei até a cortina e posicionei minhas mão sobre o tecido empoeirado, apertei até as unhas ficarem brancas para deixar minhas marcas ali, e, com toda força puxei para os lados tentando abrir caminho - como quem joga pedras pesadas para o lado. Era como pedras. A luz entrou em feixes gentis e suaves e retos, - não era ruim, nem machucou meus olhos - confesso que com medo, fechei meus olhos sem saber se minhas pupilas adaptariam rápido ou não, foram alguns anos no escuro. Mas agora sabia quem era, sabia de coisas que me agrediram fortemente antes.
  As partículas de poeira dançaram tristes e felizes e meu nariz coçou. O quarto, localizado no segundo andar de uma casa - percebia-se pela altura que a janela estava do chão.
  A rua em frete a minha janela era de paralelepípedos, não tinha muitas casas, e também tinham muitas árvores. Novamente palavras de coragem dançaram no meu lábio, para fazer coisas jamais vistas pelo ser humano, ou de pelo menos ser quem eu almejava, quem me fazia feliz. Abria janela e o vento gelado do inverno com gotículas de orvalho umedeceu meu rosto quebradiço, entrava pela minhas mangas compridas, arrepiando cada pelo do meu corpo. Tentei subir, mas palavras que tinham me dito de desencorajamento me fizeram fraquejar. Após me recuperar lá estava eu, de pé no para peito da janela, segurando no vidro. Sentindo a luz do sol, aquela luz quente.
  Peguei impulso, depois de tatear o vidro algumas vezes, pulei e lá estava eu, sobrevoando meu quarteirão. Bastantes verdes, gente fazendo afazeres dos mais variados. Dor, sofrimento, mágoa, sabia da existência, mas estavam perdidos em algum lugar - e não seria eu quem os procuraria.
  Não tinha de me importar. Chegara a hora de realizar o meu sonho, realizar coisas que sempre tive medo por causa do que diriam. Finalmente estava no equilíbrio que sempre aspirei - não como uma balança, mas como algo ou alguém melhor. Eu estava no ponto certo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 3

   Ele finalmente tinha conseguido o cartão verde - objeto adquirido pós bateria de treinos espaciais - e de todas as experiências vividas, essa seria sem dúvida a mais excêntrica que ele iria passar. Marlon e sua esposa fizeram juras de amor e se despediram, afinal de contas, não sabiam se iam se ver novamente. Ele fechou o macacão de astronauta e caminhou até a escada e adentrou na espaçonave. Uma salma de palmas rompeu depois de iniciada pela sua amada esposa que estava em prantos, mas com um sorriso nos lábios.
   A primeira camada foi transpassada. A segunda. A terceira. A quarta. A última.
   De repente toda a pressão sobre humana que era feita no corpo dele parou de ser feita e o corpo dele pareceu mais leve e o cinto de segurança o deu suporte. Era magnifico, negro, mas ao mesmo tempo assustador e intrigante, aquele infinito.
  Marlon agora estava sozinho no espaço. Nunca em toda vida dele ele pensou que aquilo aconteceria, mas o mais interessante, realizou um sonho que toda criança em algum momento deseja - mesmo que esse não fosse o dele.
  Dali ele olhou em volta. Procurou no painel o botão que ativava o nitro da nave. Todavia, antes que ele pudesse apertar, percebeu movimento espiralando em um ponto. Diminuiu a velocidade até quase parar e observou que até a luz convergia naquele ponto. Viu então formar-se um buraco negro.
  Pensou em mudar a direção da nave, porém lembrou da voz de sua mãe lhe dando o conselho no sonho. Mirou a nave e acelerou ao máximo na direção do buraco negro. Adentrou nele e percorreu por uns micro estantes um corredor preto, até que decidiu acelerar a nave para frente com algum intuito de ir a algum lugar. Por fim conseguiu sair, saiu em um outro espaço sideral, talvez outra galaxia, talvez outra dimensão. Olhou no painel e viu que restava pouco combustível.
   Pelo sondar da nave avistou algo que parecia com um satélite e foi na direção dele. Depois de alguns minutos, quando quase não restava mais combustível na máquina, terminou de por a roupa e saiu com sua mochila a jato para o satélite fazer contato com algum lugar, seja lá qual fosse ele.
  - Mayday, mayday! - ele dizia para alguém ouvir - SOS!
  - Captamos o seu sinal. Quem fala? - uma voz emergencial soava em resposta.
  - Aqui é Marlon Silva. Estou preso em um satélite que sondava essa área.
  - Seja lá quem é você rastrearemos e mandaremos um comando para você. Assim que esse comando for emitido entre na cápsula e o direcione a para as coordenadas que enviaremos.
   Ele esperou um total de 5 minutos que na sua cabeça pareciam uma eternidade de adrenalina e nervosismo. Por fim uma luz amarela com uma numeração acendeu próxima ao gancho do compartimento interno que Marlon se encontrava. Ele repetiu algumas vezes a numeração e entrou na nave.
   Para sua sorte a língua era a universal usada em para assuntos extra terrenos. Digitou as coordenadas e a cápsula se desprendeu para viajar ao seu destino. Ele por fim respirou aliviado com a adrenalina acabando.
   - Meu Deus! - exclamou sem conseguir conter a surpresa ao ver que todos os desertos que a terra tinha, tinham sido cobertos por manchas verdes gigantescas que ao ver dele eram florestas, e, para sua surpresa ainda maior não viu lixo espacial algum, sentia que aquela não era a terra. Mas um oposto mais vivo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Delicadeza

Tudo começou em uma quinta feira, dia vinte e três, o ano era 2009. Um dia nublado, conveniente a não levantar da cama. Um radio empoeirado repousava silencioso sob uma mesa madeira desgasta pelo tempo. Quando já passava da metade do dia, a porta se abre, e dela surge ela, dócil, amável, esplendida como sempre fora. Os olhos me fitaram na cadeira com meu formato, e as mãos me afagaram a cabeça.
Ela tinha entrado carregando sua bagagem de praxe - uma mochila e sua bolsa branca amarelada com suas parafernálias - mas com somente utensílios dela própria. Ao parar próxima a nossa mesa empoeirada esticou o braço, o ligou e olhou para o jardim do lado de fora, repleto de flores que combinavam com o aspecto vintage que nossa casa tinha - que eu sempre detestei.
De leve as gotas de chuva sob as folhas começaram a cair uma a uma, molhando com delicadeza a terra, ela sorria mais em dias nublados, ela era o sol. 
Sabia que o radio não tocava imediatamente, então saiu da casa e foi andar sobre a calçada esburacada e cheias de sulcos - nunca entendi esse amor dela por natureza, tão pouco o apresso pelo cheiro de chuva.
Parada no sinal, olhos atentos acompanham a mudança das cores piscando lentamente. A rua vazia de pessoas, mas cheias de carros andando no ritmo cortante, ela atravessava a poeira levantada dos carros, sem medo nem olhar. Ela achava que a vida era efêmera demais para ter carros, por isso andava tudo a pé - inclusive em dias chuvosos.
Ela me deixou sozinho, de novo. Ela me deixou ouvindo a música que me lembrava a ela. Ela me deixou marcas que como nossa árvore tem, ficarão cicatrizes. Por que ela não viveu um pouco mais? Hoje não sorrio, não gosto do sol. Hoje não sou árvore vívida, nem terra úmida. Hoje sinto minha delicadeza, como se ela não tivesse deixado, mas tivesse se tornado parte de mim.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 2

   Sentado naquele banco gelado, ele triste não via escapatória senão encontrar com a morte. Pensou em se matar algumas vezes. Pensou em dar adeus a vida. Pensou em tantas coisas, que o dia já estava chegando ao fim e o telefone tocou. Sua mulher preocupada fez as perguntas sobre a consulta e ele contou, para a surpresa dele, ela não chorou, ao invés, foi forte e o incentivou, e disse palavras de fé. Nada que fizesse ele querer viver mais.
  Doença maldita. Ele atingido, caminhou até em casa sentindo o inverno chegar aos poucos em forma de brisa. Antes de passar o portão de casa sentou na escadinha e chorou sozinho, calado, sem ruídos. Passou o portão e foi se banhar. Mesmo tentando comer algo, resolveu deitar na cama e dormir em uma tentativa talvez frustrada de sonhar com sua falecida mãe, sua esperança, até seu pai.
   O dia demorou para amanhecer porque ele acordou algumas vezes assustado e chorando. Acordou antes do despertador. E tomou um café sem açúcar, não queria sentir doce, não quis ouvir música, não quis falar com ninguém no trabalho. Simplesmente não quis mais nada. Nada.
    Pensou em comprar um faca nova e matar-se. Mas entre um pensamento e outro surgiu uma luz na televisão do refeitório. Em uma reportagem, o âncora anunciou que mais alguns países aderiram a luta contra a maldita.
  Pegou o telefone e ligou para o setor de teleatendimento do comitê de saúde internacional. Funcionava das 9 da manhã até as 4 da tarde. Correu até lá.
- Boa tarde. Gostaria de me inscrever no trabalho voluntário. - ele disse à atendente. - Faço qualquer coisa.
   Ele anotou o nome dele a assinou um termo de compromisso. Voltou então para casa sorrindo, diferente do dia anterior.
   Chegou em casa e foi recebido pela mulher animada. Conseguiu comer tranquilo, poderia ter os dias contados, mas não deveria perder a garra contra a maldita. Se deitou para tirar um cochilar e sonhou com sua mãe.
- Não desista, meu filho. - ela sorria afavelmente. - Você conseguirá, acredite. As vezes temos que fazer sacrifícios.
- O que quer dizer com isso, mãe? - ele perguntou e não obteve resposta. - Quer que eu seja kamicase?
- Meu filho, isso que você tem, é apensa um empecilho da vida, eu acredito em você para superar esse problema, acredite também.
   O despertador tocou. Em um pulo, ele tomou um banho e foi tomar o café com sua mulher e ouviram na televisão que pesquisadores iriam procurar A Cura fora do planeta e estavam recrutando ajudantes, pois os astronautas não estavam interessados nessa viagem que poderia ser sem destino e sem roteiro. Ele olhou para a televisão com os olhos brilhando e falou com ela.
   Correu para o centro do comitê e se voluntariou, era o primeiro. O único. O corajoso.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O começo

Sentadas em um mesa redonda, quatro pessoas conversavam.
O primeiro era um Homem, cabelos curtos e arrepiados, loiros, olhos castanhos claros, emanava energia ou calor, um pouco iperativo, carinhoso e piedoso com as outras pessoas.
O segundo homem tinha cabelo ruivos curtos e ondulados, puxados para o preto, olhos castanho escuro, não emitia calor, mas seu temperamento era variável.
A primeira mulher tinha cabelos compridos lisos e pretos, olhos azul cristal, não emitia calor, pelo contrário, fica perto dela era sentir frio, totalemente impiedosa parecia até, sem sentimentos.
E por último, a outra mulher, com cabelos compridos cacheados, castanhos puxados para o loiro, olhos verdes, cheia de vida, emitia um calor diferente, mas também era capaz de fazer o frio.
- Acho digníssimo que possamos usar nossos poderes, afinal entre nos mesmos nunca consiguiremos. Um cancela o outro. - Disse o segundo homem.
- Também acho legal. Por que não criamos uma raça e submetemos eles a nossos poderes? Se não der certo, desistimos. - Disse a mulher dos cabelos pretos escorridos.
- Então mãos a obra, o tempo corre, voa. - Disse o loiro.
Depois de algumas horas a raça e os locais de utilização estavam prontos, eles só precisavam decidir a ordem de quando cada um usará.
- Como um cancela o outro podemos por alternado. - Disse o homem loiro.
- Muito bom Verão, acho que agora estamos tendo progresso. - Disse a mulher dos cabelos negros.
- Então virei antes de você, pois não quero minhas flores mortas por ninguém. Está bem, querida Inverno? - Disse a mulher dos cabelos cacheados
- Pode ser, Primavera. Obviamente virei antes de você e antes de mim...
- Será eu - Disse o Outono interrompendo sua irmã.
Depois de muita falação ficou assim:
Primeiro o Verão, com seus raios de sol trazendo a energia do calor para os seres vivos. Depois, o outono com suas manhãs aconchegantes e suas noite frias, conhecido como imparcial, gostava de todos, menos de sua irmã Primavera. Em seguida, vem a Inverno, com sua impiedade e seus dias brancos destruidores. Por fim, a Primavera, com suas flores vivas seu humor bom e contagiante, com suas colheitas abundantes, para, no fim, repetirem tudo novamente.
Durante anos eles conviveram com os homens pacificamente, até que estes últimos foram deturpando tudo e se mostrando criaturas inconvenientes. Foi então que os quatro irmãos decidiram castigá-los para ver se o ser inferior aprenderia, mas os anos passaram, passaram e por fim, aprenderam a conviver com a natureza e não afrontá-la, alcançando a autonomia e o controle. Mas de toda forma, toda vez que um homem confronta a natureza, ela revida com muito mais força, para mostrar e educar a maneira correta de se portar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 1

   Já não fazia muito tempo que o jornal tinha começado quando os âncoras anunciaram a morte de mais um cientista. Eles prestaram mais um minuto de silêncio em homenagem ao pesquisador. O mundo, nos últimos três meses tinha perdido personalidades importantíssimas para o setor de pesquisas biológicas. Infelizmente ela ainda era a doença que mais matava. Com tantas outras sendo erradicadas, essa ainda era o maior problema. Foi então que o presidente do comitê de saúde mundial se pronunciou pela primeira vez.
- Estamos diante de um grande problema. - ele disse escolhendo as palavras cuidadosamente - Acredito que finalmente podemos decretar estado de emergência mundial. Todas as nações que desejarem ajudar, por favor, se pronunciem. Nossa ouvidoria está a postos.
   No centro de ouvidoria do comitê os telefones dispararam e as atendentes ouviam reclamações, sugestões e trotes de adolescentes desocupados.
   Em um bairro nobre não muito longe do local que era a sede do comitê de saúde mundial morava um rapaz que beirava os 30 anos com os cabelos castanhos e olhos cansados. Marlon era um estudante de direito da universidade da cidade e estava muito chateado com a situação de ver a maioria dos cientistas morrendo. Tinha perdido o pai pra ela tinha alguns meses e não gostava da ideia dessa assombração perseguindo todas as pessoas como alguém encapuzado com uma foice.
   Quando o minuto de silêncio acabou, os âncoras continuaram o telejornal e noticias melhores vieram, para surpresa do mundo. Ele e a mulher dele jantaram calados sem os assuntos de mesa por causa do aniversário de morte do irmão dela. Um clima fúnebre pairava no ar e então uma notícia de última hora tocou no jornal.
- Foram confirmadas participações de 5 novos países na luta contra a doença.
   Eles se olharam e ela desligou a televisão irritada.
- O que poderia ser feito? É o máximo? Já olharam todos os meios de combate. - ele disse em seguida.
- Mas não é possível, tem que ter alguma coisa que possa ser feito. - mexeu no cabelo em seguida.
- Chega de falar nisso. Me conte, você tem algo para fazer amanhã, meu amor?
- Eu vou ao médico mostrar meus exames, por que?
- Eu tinha pensado em dar uma volta no parque, sei lá.
   Eles assentiram calados e foram se deitar para dormir. No dia seguinte, eles acordaram cedo e tomaram um café reforçado e ele saiu. Escapou do transito matinal até chegar no consultório indo a pé. Como era o primeiro a ser atendido logo entrou na sala do médico.
- Bom dia doutor. - ele disse com o rosto ainda inchado.
- Bom dia! - ele disse entusiasmado em contraste - Deixa eu dar uma olhada no seus exames. - pegou os papeis e deu uma olhada. seu rosto continuava sorridente, mas ele levantou e falou. - tenho uma noticia para te dar.
Marlon continuou calado esperando que ele continuasse e ele então falou.
- Detectamos um inicio dela. - disse ainda sorrindo.
- Mas como isso? É sério? - ele disse embasbacado - Então eu vou morrer...
- Não exatamente, jovem. - ainda sorrindo, sua calma passava um pouco de calma para ele - Vamos ficar em observação, para então fazer um tratamento.
- E como você fala isso sorridente?
- Olha meu filho, aprendi isso em anos de prática - sua idade era transmitida pelos cabelos brancos - falar tenso é muito pior. Bom, por hoje é só. Te vejo mês que vem. Entre em contato se acontecer algo.
   Marlon saiu do consultório e se sentou na praça desolado sem saber o que fazer.

sábado, 29 de novembro de 2014

Divulgação - No doce embalo da magia - Rafaela Alves

   Lembra daquelas histórias que nos contaram quando eramos criança, e ainda fazem você sonhar não importando sua idade? Então, No doce embalo da magia da escritora Rafaela Alves conta uma velha história, de outra forma. Embarque nessa você também clicando aqui! Se assim como eu, você mal pode esperar dezembro chegar para ver, confere aí um trechinho que ela me liberou.
"No doce embalo da magia. Um livro de conto. Sobre a bela e a fera. Contado na visão da feiticeira"

"Do mesmo jeito,que alguém que fez isso,é capaz de amar quem tanto queria ver sofrer.-Adam... -fiquei sem fala.
Espera,ele sabia que eu o amava também?Não,espere novamente,eu realmente o amava?É sério?Mas como?De que maneira?Adam tem um coração gigante,só pode!
-Na boa Adam,qual o tamanho do seu coração?
Ele riu, e então levantou sua mão,fechada em punho,e sussurrou:
-Dizem que a nossa mão fechada é o tamanho do nosso coração,então...
Eu comecei a rir,e dei um soco em seu ombro.
-Então você tem um enorme coração!-zombei.
E então fechei minha mão também.Tão pequena e tão frágil.
-Já o meu...-sussurrei.
-Não me importo com o tamanho que seu coração é por fora... Desde que eu saiba o quão grandioso ele é por dentro! "

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Poesia em prosa do velho português

Sendo bom ou não, a gente escolhe. Enquanto a vida devora a gente e a morte espera para nos saborear. Prefiro pensar que a morte é uma etapa passageira, quase como o próximo livro de uma coleção que somos obrigados a ler.
Em suma, suma, soma, acrescenta, senta, agacha, encaixa. Bom mesmo é a boa prosa, que fala difícil e rebusca o Aurélio, dificulta a gramática só para caçoar da gente, enquanto tentamos entender se somos o sujeito ou o predicado da nossa oração, reza ou prece. Ambígua, quase prolixa discursa palavras que desistimos de ler em voz alta e pulamos a narração da ação de algo que cai no chão.
Para falar a verdade, nem o teclado, nem minhas alergias, entendem o que o meu cérebro pensa e manda os dedos digitarem e escreverem. E pouco a pouco, soando quase oco, sentamos na cama e olhamos pela janela, enquanto o sol, em parábola, arqueia o céu, deixando seu véu de calor e amor. Ele sempre volta, certas épocas do ano vem e parece durar o dia todo, aliás, dura o dia todo. Se não for ele, é noite, de açoite com minhas ítes ou its dos estrangeirismos que nós, eu, tu, eles, sem vós ou a sós gostamos de cantar, falar, citar sem ar.
Bom mesmo, não sou eu ou você. Bom mesmo é brincar de quem sou, enquanto me desvendo e sou lido, sou lindo, vou indo, indo para aonde a vida me deixar caminhar. Talvez eu cruze aquela linha hoje, mas talvez também, as moiras me deixem viver um pouco mais. E sem mas, eu caminho em direção ao meu ninho e deito no meu leito sem ar no meu peito sentindo que ela, já vem devorar-me.

domingo, 31 de agosto de 2014

A solução

- Ela sempre foi assim... mocreia varrida e pior, dizia que me amava e continuava lá do meu lado. A gente ia no shopping e olhava vitrines, a gente fazia tudo, tudo junto. Acho que você tem razão doutor. - ele se ajeitou no divã. - O que você acha que devo fazer?
- Por que você não muda de emprego? Arruma um hobby novo?
- Já tentei tantas coisas. - enxugou o suor na testa negra dele - Mas sabe, estive pensando...
- No que exatamente? - perguntou o psicólogo.
- E se o problema não for ela? For eu?
- Não é por isso que você está aqui?
- Fala sério! Eu quero acreditar que aquela vaca prenha está com outro cara porque eu tenho um problema.
- E você tem alguma solução em mente pra ver esse problema?
- Vou invadir a casa dela...
- Então... Isso não parece sensato. - o psicólogo ajeitou o óculos hesitando e escolhendo as palavras.
- Relaxa. Não vou fazer nada demais. Só vou pegar de volta certas coisas. - riu em seguida.
- Coisas que você deixou na casa dela?
- Não exatamente. Presentes que entreguei pra ela. - piscou sorrindo pro psicólogo. - Assim que sair de lá te ligo e falo onde você pode me encontrar, ok? - sem esperar resposta se levantou, ajeitou a bermuda e a camisa e saiu da sala.

Não demorou muito ele passou o portão do prédio parou para falar com porteiro e descobrir que ela não estava em casa. Sorrindo pegou dois clipes de papel que estavam no porta canetas do porteiro e subiu pelas escadas.
Sem dificuldade conseguiu destrancar a porta e entrar. Foi direto no quarto dela e abriu o armário. Nada que queria foi encontrado. Abriu gavetas, nada. Olhou em cima da estante e se deparou com um estojo, e em um estalo, percebeu o problema. Não era ela, era ele. Voltou para o armário e pegou três peças de roupa específicas.
Se sentou na bacada e começou a se maquiar. Talvez por sempre ver ela fazendo isso, sabia exatamente o que e como fazer. Arrumado, levantou. calçou o tênis que estava usando antes e foi em direção a porta que tinha esquecido aberta.
Parada na porta estava sua ex companheira com o cara que ele sempre suspeitou ela estar traindo. Um rapaz bonito, com cara de ser bem sucedido. Ela olhou para ele e franziu o cenho.
- Marcos?!
Ele a olhou e pôs a mão na cintura.
- É Samanta Cley pra você. - disse gesticulando como um travesti.
O casal o encarou estupefato e então ele continuou.
- Ah querida, você tem razão. O problema não é você, sou eu. Estou realizada agora. - gesticulou como se jogasse um cabelo imaginário. Saiu andando e rebolando passou pelo casal que agora estava boquiaberto.
Fora do prédio, pegou o celular e ligou para o seu psicólogo.
- Me encontre dentro da boate. - desligou em seguida.
Na rua da boate tinha um salão muito famoso. Passou e comprou uma peruca loira, colocou sobre a cabeça e rebolou pela rua até entrar pela porta da frente da boate.
Caminhou direto para o palco e pegou o microfone. Realizada, agora Samanta ia finalmente fazer o que sempre quis. Seu show ia começar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Inimigo moderno

Seja no glúten
Ou no glúteo
O inimigo é o mesmo
Mas eu ainda tenho desejo
De bacon

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Desfile

Era manhã, ensolarada. Um despertador começa a tocar, era para acordar um jovem preguiçoso. Sete de setembro, dia de desfile, quem gosta de acordar cedo? Bom, ele que não. Era domingo, ele não tinha que acordar cedo para fazer nada.
- Que merda... Não vou levantar de jeito nenhum...
De repente a barulheira do desfile começa a tocar, ele morava em um bairro simples, que o desfile passava. Morar na cobertura, ter dinheiro, não significa nada nesse caso, e ainda mais por ele odiar ser perturbado. O barulho era de pratos, trombetas e coisas bem chatas de desfile começava longe, quase inaudível.
Uma porrada no despertador fez com que o silêncio durasse mais 10 minutos.
Depois desse tempo, o barulho que começava no fim da rua, já estava dentro da casa do nosso jovem. Ele se levanta, fecha a janela, mas o barulho fica ainda maior, mesmo com o vidro fechado. Parecia não ter fim.
Ele foi enlouquecendo aos poucos até o momento em que pegou o roupão e o maior balde que tinha.
Nesse meio tempo a banda da passeata já estava na frente do prédio dele. Todo fechado, tremia com o barulho.
Ele subiu até o terraço com o balde cheio de água. E tacou a água toda lá em baixo. Em cascata ela desceu rapidamente.
Ao virar parar atrás, encontra com uma mulher toda uniformizada, com a roupa apertada, um batom vermelho bem chamativo, com o cabelo loiro preso, olhos verdes fitando-o. Ela anda até ele, e o beija bem lentamente. A sensação que ele sentia era de estar no meio de uma barulhada toda dançando todo feliz. Como se estivesse no meio da passeata se divertindo.
Então, ele acorda com suas roupas molhadas de cima a baixo, sem entender nada e sozinho no terraço como se tudo não passasse de um sonho maluco.
Se rende, troca de roupa e vai se juntar a passeata.

sábado, 9 de agosto de 2014

Formiga

No braço
Ela procura
Por doce

Agridoce

Doce sal
Sal doce
Um agridoce
Mais doce
Que aquele amargo

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Rainha

Pela vitória
Te vi descer aquelas escadas
Majestosa lua

sábado, 26 de julho de 2014

Sonhos

Enquanto houver
Talvez eu me deleite
Sorrindo sempre

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sentidos

Estava no corredor, procurando as chaves para entrar em casa após um longo dia de trabalho. Depois de lutar com minha mochila encontrei as malditas. Foi outra luta para achar a chave certa da porta, mas logo encontrei-a e abri. Entrei em casa. Estava tudo apagado, liguei as luzes.
A iluminação toda diferente, com lustre baixos e algumas luzes meio focadas pela sala, estilo as luminárias antigas. Larguei a mochila no chão. Estava sozinho em casa, digo, sempre morei sozinho... pelo menos desde meus 23 anos. Tenho 25 hoje. Passei pelo som e o liguei. Olhei meu bumbo. Não tinha tocado no meu instrumento musical a muito tempo, acho que me recordo dele somente de antes da mudança, estava bem empoeirado. A musica tocava bem devagar. Era um jazz gostoso, mas ainda faltava alguma coisa.
Abria gaveta e puxei o maço de cigarro junto a um esqueiro. Saquei o maldito. Não me importava o sabor, nem o mal que aquela droga faria, queria fumaça no ar. Sempre achei que aquela dança aleatória no ar combinava com um belo som de um saxofone.
Acendi o cigarro e comecei a fuma-lo. O jazz entrava pelos meus ouvidos e ecoava pelo resto da casa fechada. Sentia a vibração no ar. Me deixando meio anestesiado.
Terminei meu cigarro com um último bafo e respirei fundo. Sentia a fumaça entrando pelas narinas e corroendo todas as partes de minha traqueia, a dor na garganta voltava. Minha rouquidão começava a se manifestar. O cheiro era forte, mas eu não me importava com isso. O gosto era bom, pelo menos no fim. Tabaco puro, uma edição limitada com um filtro diferente. Lindamente revolucionário, extremamente odiado por todos.
Joguei a ponta fora junto com as guimbas recentes. Peguei meu bumbo e soprei poeira sob ele. Ela correu do meu sopro se espalhando no ar e no chão. Depois de uns tapas no couro áspero, bege, fortemente esticado. Senti a fibração subir pelos cabelos de meu braço até tocar meu coração ferido.
Ao fundo eu procurava ver algo que não conseguia, mas sabia que estava lá. Meu coração batia fraco... meu cansaço estava mais forte. E mesmo com muita vitalidade, ou cafeína, ele era idoso, frágil e quebradiço.
Mesmo com couro áspero visivelmente esticado a força, a fumaça pairando no ar secando meu nariz, o jazz vibrando nos meus tímpanos, o gosto do tabaco nas minhas papilas e eu vendo isso tudo. Faltava o principal, você.
Então você veio, lentamente sem dar pistas. Me guiou até a cama como um cão guia seu cego, me deitou e beijou minha testa. E de olhos fechados, vi você sumir, como uma alucinação sem sentido dos meus sentidos confusos.
Meu dia tinha acabado ali.

sábado, 19 de julho de 2014

Resenha - A Bússola de Ouro

Título: A Bússola de Ouro
Autor(a): Philip Pullman
Editora: Objetiva.

Sinopse:
Quando Roger, amigo de Lyra, desaparece, ela e seu dimon, Pantalaimon, resolvem procurá-lo. Viajam pelos reinos frios do Norte, onde ursos de armadura, e clãs de bruxas voam pelos céus congelados. Lyra possui um misterioso aparelho - o aletiômetro - que a auxiliará na missão. Mas o equipamento contém segredos assustadores sobre a viagem e os perigos que os esperam em mundos distantes.

O livro se divide em três partes: Oxford, Bolvangar e Svalbard.
A história se passa em um mundo com cultura e geografia similar ao nosso, onde todos possuem um daemon, ou dimon, em português - parte da alma em forma de animal e no sexo oposto.
O primeiro livro da trilogia Fronteiras do Universo, conta a história da órfã, Lyra Belacqua que vive na faculdade de Oxford. Um dia, percebe junto com os demais moradores da cidade, que muitas crianças estão desaparecendo, até que seu melhor amigo, Roger, desaparece e ela resolve junto com seu Dimon, Pantalaimon, ir atrás dos suspeitos, os Gobblers.
Em uma eletrizante aventura, Pullman narra a história de uma garota que com um misterioso aparelho - o aletiômetro - vai em busca do seu melhor amigo. E com a ajuda de Ursos de armadura e bruxas, ela descobre o porquê dos desaparecimentos e como o falado Pó, interfere nesse tal mistério. Todavia tais descobertas trazem mais dúvidas, e Lyra então, vai em busca de tais respostas.
De forma simples, mas não infantil, Pullman cativa o leitor do início ao fim e ainda o deixa desejando os acontecimentos que dão continuidade a história.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ao som de Jazz ou Blues

Os estalos e abraços
Nos envolvem como laços
Tudo lindo de tal maneira
Que nem liguei à trepadeira.

O som rítmico
Mostrava a você que eu,
Não preciso ser mímico
Pra saber que meu mundo é seu

Sorria sorria meu bem,
Os teus versos
 Te levam além

E talvez sob sua luz
Eu deva ficar
Ao som de Jazz ou Blues.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Resenha - Labirinto

Título: Labirinto
Autor(a): Kate Mosse
Editora: Em algumas versões Objetiva, outras SUMA.

Sinopse:
Julho de 1209: na cidade francesa de Carcassonne, uma moça de 17 anos recebe do pai um misterioso livro, que ele diz conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não consiga entender as estranhas palavras e os símbolos escondidos naquelas páginas, sabe que seu destino é proteger o livro. Serão necessários enormes sacrifícios e uma fé inabalável para preservar o segredo do labirinto - um segredo que remonta a milhares de anos e aos desertos do antigo Egito.
Julho de 2005: durante uma escavação arqueológica nas montanhas ao redor de Carcassonne, Alice Tanner descobre dois esqueletos. Dentro da tumba na qual repousavam os antigos ossos, experimenta uma sensação malignamente impressionante e percebe que, por mais impossível que pareça, de alguma forma, ela é capaz de entender as misteriosas palavras ancestrais gravadas nas pedras. Porém, é tarde demais - Alice acaba de desencadear uma aterrorizante sequência de acontecimentos incontroláveis, e agora seu destino esta irremediavelmente ligado à sorte dos cátaros, oitocentos anos atrás.

Primeiramente é preciso entender que o livro se passa em duas épocas diferentes. A primeira na época das cruzadas e a segunda no presente. O livro se divide em: Prólogo, A Cité na Colina, Os Guardiães dos Livros, A volta às Montanhas, Epílogo, Agradecimentos, Breve Glossário de palavras occitanas e Bibliografia selecionada.
A narrativa envolvente de Mosse em terceira pessoa faz o leitor viajar entre as épocas - o que em momentos pode ser irritantemente emocionante - sem perder o foco. O livro todo conta a jornada de jovem de 17 anos, Alaïs, que recebe do pai um livro, e mesmo sem entender sabe que tem que protege-lo a todo custo, pois nele estão dicas que levam ao Santo Graal, tão cobiçado por todos. E no decorrer da história ela descobre que essa aventura será mais complexa do que imagina, tendo que lidar com situações muito complicadas. Enquanto no presente, Alice Tanner, que se encontra na escavação aos arredores de Carcassonne, descobre uma tumba com esqueletos dentro e isso trás a tona uma série de acontecimentos inexplicáveis envolvendo perseguição e mistério, que no decorrer do livro, mostram um sentido cíclico na história.
Uma história de traição, amor e aventura, que coloca o leitor no lugar dos personagens sem muito esforço, e se não lida com calma pode parecer confusa, pois os vilões vão aparecendo no decorrer da história. E para aqueles que preferem uma leitura direta - pulando os capítulos para saber o que acontece em seguida no passado ou presente - é extremamente recomendado que não façam isso, pois a autora, brilhantemente, coloca informações que levam você a entender vários fatos, sem dá-las facilmente. E mesmo com a sinopse dando a entender que podem haver partes de arrepiar os cabelos da nuca - ou do corpo todo - a história cativa o leitor do início ao fim.

sábado, 12 de julho de 2014

Metas

    Em meio a tamanhos acontecimentos, resolvi fazer algo que não fazia a um bom tempo, escrever. Escrever não sobre coisas que falo normalmente, mas sobre como nós, seres humanos, nos importamos tanto, tanto, com metas. Elas tem um poder tão grande, que as vezes nos perdemos no meio do caminho.
      Digo isso porque até certo tempo atrás, estava escrevendo um livro, sim um livro. E acredite ou não, é umas das tarefas mais complexas que já fiz, porque só o ato de você entrar na internet já é uma distração. Além disso, falo de metas porque, não sei você, elas me pautaram o tempo todo, desde que era criança eu tinha um planejamento (por mais simples que fosse). E uma das coisas que mais falei nesses últimos dias foi: "faltam só mais 4 capítulos", até reparar então, que tinha escrito mais 20, e os quatro nunca chegaram, mas quando chegaram, ainda se estenderam um pouco.
       Reparem, quando nós crescemos e nos tornamos independentes, isto é, conquistamos nosso espaço no mundo, almejamos coisas como nosso canto e ter nossa vida. Muitos de nós desejam ter um filho, e assim, criam-se metas para ele. Ele vai crescer, ser um cidadão de bem, conquistar o espaço dele e, de forma cíclica, tudo se repetirá.
       Existem metas que são comuns a todos, não que as já citadas não sejam, porém essas transcendem tal aspecto, como por exemplo o desejo da seleção brasileira conquistar o título de Hexa. Assim, sendo bombardeados com avisos e contagens regressivas para copa, esperávamos que o mínimo acontecesse (porque falar que não iria ter copa era quase utópico), mas infelizmente, o pior aconteceu, e enquanto corruptos eram soltos (porque chama-los de políticos é ofensa às pessoas de bem), o Brasil chorava por um sonho que agora esta um pouco longe. Para nossa sorte, o humor é sempre uma forma de contornar, afinal de contas, rir é sempre o melhor remédio.
       Até lá, continuaremos sonhando com mais um título, tentaremos resolver outros problemas, e continuaremos traçando novos objetivos. Pra frente Brasil!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Metamorfose

“Era intravenosa. Era audaciosa. Suave e fresca. Corrosiva. Vívida e límpida. Eu só queria beija-la.”
                Oscar era um jovem de 30 e poucos anos. Cabelos começando a grisalhar, e possuía toda a cobiça de alguém que deseja ser feliz na vida. Trabalhava numa loja de conveniência perto do cemitério de uma cidade pequena. Cidadão de bem. Alguns diriam até pontual demais, e até devoto demais. Devoto ao que? Não se sabe, nem nunca se saberá. Reservado, até demais. Mas não tinha segredos.
          Querida Helena,
     Sinto muito sua falta. Ouvi dizer que abriu uma loja nova de um tal de Mr. Ciganus. Vou ver se essa semana passo lá para ver como é. Parece ser algo meio... místico... sei lá. Não entendo dessas coisas. A vida continua na mesma. O prefeito ainda não libera mais verba para as obras do cemitério, a lojinha luta para se manter. Meu patrão esta cada vez mais gagá e me xingando de coisas novas. E minha saudade por você só aumenta. Escreverei em breve.
      Att,
      Oscar.
          No seu dia de folga Oscar abdicou-se dos afazeres domésticos e foi a tal lojinha do Mr. Ciganus.
        - Boa tarde, jovem. – Disse um homem careca de barbas longas e olhos pequenos escuros e de vestes laranjas pouquíssimo usuais.
          - Boa tarde, vim dar as boas-vindas. – respondeu Oscar tímido.
          - Eu sei. Obrigado. Por que não se senta? Então, diga-me, o que deseja?
          Oscar sentou-se e pôs-se a refletir profundamente enquanto o senhor à sua frente sorria-o. A reflexão se estendeu tanto, que o senhor levantou e fez duas xícaras de chá. E após se sentarem ambos sorveram calmamente. Até que algumas horas depois Oscar encorajado por seu desejo falou.
            - Já sei...
            - Diga então. – Disse o senhor interrompendo.
            - Eu desejo... desejo... desejo poder ficar junto de minha amada novamente.
            - Helena?
            - A conhece?
            - Não... Mas atenderei seu pedido.
            - O que tenho que fazer?
           - O homem mais rico da cidade. Ele tem como te levar a ela. Basta achar a pequenina chave da casa dele no vaso da entrada. Esgueirar-se pelo corredor, pegar o cordão na sala de estar que e correr para onde seus instintos mandarem.
          Oscar assentiu calado e caminhou de volta a sua casa. Imediatamente papel e caneta dançavam criando letras.
            Querida Helena,
     Hoje serei breve. Me desculpe, mas o Mr. Ciganus disse como poder ficar junto de ti novamente. Sabe como é, desde que você se foi, nunca mais fui o mesmo. Sinto sua falta e choro todas as noites, mas isso a de mudar. Até breve.
      Att,
      Oscar
      Ao pisar no jardim do prefeito, Oscar sentiu seu corpo tremer, seus pelos cresceram avermelhando-se e sua visão mais aguçada para a escuridão da noite. Sem entender muito bem passou pelo guardas que trocaram olhares com ele, e só assentiram falando o quão estranho ter uma raposa vermelha naquele local. Mas nada fizeram. Ele continuou andando até chegar na porta principal e pegar a chave. A mesma tremedeira, o jogou de volta para o que era antes, agora ele estava bípede com a chave em mãos porém não se sentia constante naquela forma.
            Aventurou-se a pôr a chave na fechadura e percebeu sua pele escamando, assim como uma cobra. Quando a porta terminou de ranger, ele, peçonhenta, esgueirava-se a dentro para achar o cordão. Quando o achou, sob a forma humana, retirou-o do lugar disparando o alarme. A adrenalina correu suas veias tão rápida que era intravenosa, corrosiva, vívida e límpida. Ele percebeu pelo reflexo das vidrarias próximas que era um guaxinim, e sagazmente precisaria para sair vivo da luz ressoante vermelha. Correu e correu para onde seus pés o guiaram até encontrar um homem portando uma arma. Não era um segurança. Era o homem mais rico da cidade, o prefeito, aquele que o concederia seu desejo.
            Sob ação do medo frágil da forma humana, correu na direção oposta. Suas roupas já haviam se esvaído em meias tamanhas transformações. Já não se reconhecia e só temia a morte. Correu e correu. Desejou ter asas, mas o disparo somente o remeteu a pássaros voando para longe. E no meio das costas uma dor estonteante o amordaçou. Paralisado, caído, permaneceu.
            Alguns minutos se passaram. Uma brisa suave e fresca soprou, e com ela o desejo foi sucumbido. Ele levantou os olhos e lá estava ela. Audaciosa como no dia que o havia deixado, Helena. Ela o deu a mão, e então eles se abraçaram calma e longamente.
            Ele ameaçou falar e ela tocou-lhe os lábios.
            - Não diga mais nada.
            - Eu só queria beija-la.

            E num sutil toque de lábios os dois desapareceram em meio a brisa daquela noite estrelada e de luto.