quinta-feira, 31 de julho de 2014

Rainha

Pela vitória
Te vi descer aquelas escadas
Majestosa lua

sábado, 26 de julho de 2014

Sonhos

Enquanto houver
Talvez eu me deleite
Sorrindo sempre

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sentidos

Estava no corredor, procurando as chaves para entrar em casa após um longo dia de trabalho. Depois de lutar com minha mochila encontrei as malditas. Foi outra luta para achar a chave certa da porta, mas logo encontrei-a e abri. Entrei em casa. Estava tudo apagado, liguei as luzes.
A iluminação toda diferente, com lustre baixos e algumas luzes meio focadas pela sala, estilo as luminárias antigas. Larguei a mochila no chão. Estava sozinho em casa, digo, sempre morei sozinho... pelo menos desde meus 23 anos. Tenho 25 hoje. Passei pelo som e o liguei. Olhei meu bumbo. Não tinha tocado no meu instrumento musical a muito tempo, acho que me recordo dele somente de antes da mudança, estava bem empoeirado. A musica tocava bem devagar. Era um jazz gostoso, mas ainda faltava alguma coisa.
Abria gaveta e puxei o maço de cigarro junto a um esqueiro. Saquei o maldito. Não me importava o sabor, nem o mal que aquela droga faria, queria fumaça no ar. Sempre achei que aquela dança aleatória no ar combinava com um belo som de um saxofone.
Acendi o cigarro e comecei a fuma-lo. O jazz entrava pelos meus ouvidos e ecoava pelo resto da casa fechada. Sentia a vibração no ar. Me deixando meio anestesiado.
Terminei meu cigarro com um último bafo e respirei fundo. Sentia a fumaça entrando pelas narinas e corroendo todas as partes de minha traqueia, a dor na garganta voltava. Minha rouquidão começava a se manifestar. O cheiro era forte, mas eu não me importava com isso. O gosto era bom, pelo menos no fim. Tabaco puro, uma edição limitada com um filtro diferente. Lindamente revolucionário, extremamente odiado por todos.
Joguei a ponta fora junto com as guimbas recentes. Peguei meu bumbo e soprei poeira sob ele. Ela correu do meu sopro se espalhando no ar e no chão. Depois de uns tapas no couro áspero, bege, fortemente esticado. Senti a fibração subir pelos cabelos de meu braço até tocar meu coração ferido.
Ao fundo eu procurava ver algo que não conseguia, mas sabia que estava lá. Meu coração batia fraco... meu cansaço estava mais forte. E mesmo com muita vitalidade, ou cafeína, ele era idoso, frágil e quebradiço.
Mesmo com couro áspero visivelmente esticado a força, a fumaça pairando no ar secando meu nariz, o jazz vibrando nos meus tímpanos, o gosto do tabaco nas minhas papilas e eu vendo isso tudo. Faltava o principal, você.
Então você veio, lentamente sem dar pistas. Me guiou até a cama como um cão guia seu cego, me deitou e beijou minha testa. E de olhos fechados, vi você sumir, como uma alucinação sem sentido dos meus sentidos confusos.
Meu dia tinha acabado ali.

sábado, 19 de julho de 2014

Resenha - A Bússola de Ouro

Título: A Bússola de Ouro
Autor(a): Philip Pullman
Editora: Objetiva.

Sinopse:
Quando Roger, amigo de Lyra, desaparece, ela e seu dimon, Pantalaimon, resolvem procurá-lo. Viajam pelos reinos frios do Norte, onde ursos de armadura, e clãs de bruxas voam pelos céus congelados. Lyra possui um misterioso aparelho - o aletiômetro - que a auxiliará na missão. Mas o equipamento contém segredos assustadores sobre a viagem e os perigos que os esperam em mundos distantes.

O livro se divide em três partes: Oxford, Bolvangar e Svalbard.
A história se passa em um mundo com cultura e geografia similar ao nosso, onde todos possuem um daemon, ou dimon, em português - parte da alma em forma de animal e no sexo oposto.
O primeiro livro da trilogia Fronteiras do Universo, conta a história da órfã, Lyra Belacqua que vive na faculdade de Oxford. Um dia, percebe junto com os demais moradores da cidade, que muitas crianças estão desaparecendo, até que seu melhor amigo, Roger, desaparece e ela resolve junto com seu Dimon, Pantalaimon, ir atrás dos suspeitos, os Gobblers.
Em uma eletrizante aventura, Pullman narra a história de uma garota que com um misterioso aparelho - o aletiômetro - vai em busca do seu melhor amigo. E com a ajuda de Ursos de armadura e bruxas, ela descobre o porquê dos desaparecimentos e como o falado Pó, interfere nesse tal mistério. Todavia tais descobertas trazem mais dúvidas, e Lyra então, vai em busca de tais respostas.
De forma simples, mas não infantil, Pullman cativa o leitor do início ao fim e ainda o deixa desejando os acontecimentos que dão continuidade a história.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ao som de Jazz ou Blues

Os estalos e abraços
Nos envolvem como laços
Tudo lindo de tal maneira
Que nem liguei à trepadeira.

O som rítmico
Mostrava a você que eu,
Não preciso ser mímico
Pra saber que meu mundo é seu

Sorria sorria meu bem,
Os teus versos
 Te levam além

E talvez sob sua luz
Eu deva ficar
Ao som de Jazz ou Blues.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Resenha - Labirinto

Título: Labirinto
Autor(a): Kate Mosse
Editora: Em algumas versões Objetiva, outras SUMA.

Sinopse:
Julho de 1209: na cidade francesa de Carcassonne, uma moça de 17 anos recebe do pai um misterioso livro, que ele diz conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não consiga entender as estranhas palavras e os símbolos escondidos naquelas páginas, sabe que seu destino é proteger o livro. Serão necessários enormes sacrifícios e uma fé inabalável para preservar o segredo do labirinto - um segredo que remonta a milhares de anos e aos desertos do antigo Egito.
Julho de 2005: durante uma escavação arqueológica nas montanhas ao redor de Carcassonne, Alice Tanner descobre dois esqueletos. Dentro da tumba na qual repousavam os antigos ossos, experimenta uma sensação malignamente impressionante e percebe que, por mais impossível que pareça, de alguma forma, ela é capaz de entender as misteriosas palavras ancestrais gravadas nas pedras. Porém, é tarde demais - Alice acaba de desencadear uma aterrorizante sequência de acontecimentos incontroláveis, e agora seu destino esta irremediavelmente ligado à sorte dos cátaros, oitocentos anos atrás.

Primeiramente é preciso entender que o livro se passa em duas épocas diferentes. A primeira na época das cruzadas e a segunda no presente. O livro se divide em: Prólogo, A Cité na Colina, Os Guardiães dos Livros, A volta às Montanhas, Epílogo, Agradecimentos, Breve Glossário de palavras occitanas e Bibliografia selecionada.
A narrativa envolvente de Mosse em terceira pessoa faz o leitor viajar entre as épocas - o que em momentos pode ser irritantemente emocionante - sem perder o foco. O livro todo conta a jornada de jovem de 17 anos, Alaïs, que recebe do pai um livro, e mesmo sem entender sabe que tem que protege-lo a todo custo, pois nele estão dicas que levam ao Santo Graal, tão cobiçado por todos. E no decorrer da história ela descobre que essa aventura será mais complexa do que imagina, tendo que lidar com situações muito complicadas. Enquanto no presente, Alice Tanner, que se encontra na escavação aos arredores de Carcassonne, descobre uma tumba com esqueletos dentro e isso trás a tona uma série de acontecimentos inexplicáveis envolvendo perseguição e mistério, que no decorrer do livro, mostram um sentido cíclico na história.
Uma história de traição, amor e aventura, que coloca o leitor no lugar dos personagens sem muito esforço, e se não lida com calma pode parecer confusa, pois os vilões vão aparecendo no decorrer da história. E para aqueles que preferem uma leitura direta - pulando os capítulos para saber o que acontece em seguida no passado ou presente - é extremamente recomendado que não façam isso, pois a autora, brilhantemente, coloca informações que levam você a entender vários fatos, sem dá-las facilmente. E mesmo com a sinopse dando a entender que podem haver partes de arrepiar os cabelos da nuca - ou do corpo todo - a história cativa o leitor do início ao fim.

sábado, 12 de julho de 2014

Metas

    Em meio a tamanhos acontecimentos, resolvi fazer algo que não fazia a um bom tempo, escrever. Escrever não sobre coisas que falo normalmente, mas sobre como nós, seres humanos, nos importamos tanto, tanto, com metas. Elas tem um poder tão grande, que as vezes nos perdemos no meio do caminho.
      Digo isso porque até certo tempo atrás, estava escrevendo um livro, sim um livro. E acredite ou não, é umas das tarefas mais complexas que já fiz, porque só o ato de você entrar na internet já é uma distração. Além disso, falo de metas porque, não sei você, elas me pautaram o tempo todo, desde que era criança eu tinha um planejamento (por mais simples que fosse). E uma das coisas que mais falei nesses últimos dias foi: "faltam só mais 4 capítulos", até reparar então, que tinha escrito mais 20, e os quatro nunca chegaram, mas quando chegaram, ainda se estenderam um pouco.
       Reparem, quando nós crescemos e nos tornamos independentes, isto é, conquistamos nosso espaço no mundo, almejamos coisas como nosso canto e ter nossa vida. Muitos de nós desejam ter um filho, e assim, criam-se metas para ele. Ele vai crescer, ser um cidadão de bem, conquistar o espaço dele e, de forma cíclica, tudo se repetirá.
       Existem metas que são comuns a todos, não que as já citadas não sejam, porém essas transcendem tal aspecto, como por exemplo o desejo da seleção brasileira conquistar o título de Hexa. Assim, sendo bombardeados com avisos e contagens regressivas para copa, esperávamos que o mínimo acontecesse (porque falar que não iria ter copa era quase utópico), mas infelizmente, o pior aconteceu, e enquanto corruptos eram soltos (porque chama-los de políticos é ofensa às pessoas de bem), o Brasil chorava por um sonho que agora esta um pouco longe. Para nossa sorte, o humor é sempre uma forma de contornar, afinal de contas, rir é sempre o melhor remédio.
       Até lá, continuaremos sonhando com mais um título, tentaremos resolver outros problemas, e continuaremos traçando novos objetivos. Pra frente Brasil!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Metamorfose

“Era intravenosa. Era audaciosa. Suave e fresca. Corrosiva. Vívida e límpida. Eu só queria beija-la.”
                Oscar era um jovem de 30 e poucos anos. Cabelos começando a grisalhar, e possuía toda a cobiça de alguém que deseja ser feliz na vida. Trabalhava numa loja de conveniência perto do cemitério de uma cidade pequena. Cidadão de bem. Alguns diriam até pontual demais, e até devoto demais. Devoto ao que? Não se sabe, nem nunca se saberá. Reservado, até demais. Mas não tinha segredos.
          Querida Helena,
     Sinto muito sua falta. Ouvi dizer que abriu uma loja nova de um tal de Mr. Ciganus. Vou ver se essa semana passo lá para ver como é. Parece ser algo meio... místico... sei lá. Não entendo dessas coisas. A vida continua na mesma. O prefeito ainda não libera mais verba para as obras do cemitério, a lojinha luta para se manter. Meu patrão esta cada vez mais gagá e me xingando de coisas novas. E minha saudade por você só aumenta. Escreverei em breve.
      Att,
      Oscar.
          No seu dia de folga Oscar abdicou-se dos afazeres domésticos e foi a tal lojinha do Mr. Ciganus.
        - Boa tarde, jovem. – Disse um homem careca de barbas longas e olhos pequenos escuros e de vestes laranjas pouquíssimo usuais.
          - Boa tarde, vim dar as boas-vindas. – respondeu Oscar tímido.
          - Eu sei. Obrigado. Por que não se senta? Então, diga-me, o que deseja?
          Oscar sentou-se e pôs-se a refletir profundamente enquanto o senhor à sua frente sorria-o. A reflexão se estendeu tanto, que o senhor levantou e fez duas xícaras de chá. E após se sentarem ambos sorveram calmamente. Até que algumas horas depois Oscar encorajado por seu desejo falou.
            - Já sei...
            - Diga então. – Disse o senhor interrompendo.
            - Eu desejo... desejo... desejo poder ficar junto de minha amada novamente.
            - Helena?
            - A conhece?
            - Não... Mas atenderei seu pedido.
            - O que tenho que fazer?
           - O homem mais rico da cidade. Ele tem como te levar a ela. Basta achar a pequenina chave da casa dele no vaso da entrada. Esgueirar-se pelo corredor, pegar o cordão na sala de estar que e correr para onde seus instintos mandarem.
          Oscar assentiu calado e caminhou de volta a sua casa. Imediatamente papel e caneta dançavam criando letras.
            Querida Helena,
     Hoje serei breve. Me desculpe, mas o Mr. Ciganus disse como poder ficar junto de ti novamente. Sabe como é, desde que você se foi, nunca mais fui o mesmo. Sinto sua falta e choro todas as noites, mas isso a de mudar. Até breve.
      Att,
      Oscar
      Ao pisar no jardim do prefeito, Oscar sentiu seu corpo tremer, seus pelos cresceram avermelhando-se e sua visão mais aguçada para a escuridão da noite. Sem entender muito bem passou pelo guardas que trocaram olhares com ele, e só assentiram falando o quão estranho ter uma raposa vermelha naquele local. Mas nada fizeram. Ele continuou andando até chegar na porta principal e pegar a chave. A mesma tremedeira, o jogou de volta para o que era antes, agora ele estava bípede com a chave em mãos porém não se sentia constante naquela forma.
            Aventurou-se a pôr a chave na fechadura e percebeu sua pele escamando, assim como uma cobra. Quando a porta terminou de ranger, ele, peçonhenta, esgueirava-se a dentro para achar o cordão. Quando o achou, sob a forma humana, retirou-o do lugar disparando o alarme. A adrenalina correu suas veias tão rápida que era intravenosa, corrosiva, vívida e límpida. Ele percebeu pelo reflexo das vidrarias próximas que era um guaxinim, e sagazmente precisaria para sair vivo da luz ressoante vermelha. Correu e correu para onde seus pés o guiaram até encontrar um homem portando uma arma. Não era um segurança. Era o homem mais rico da cidade, o prefeito, aquele que o concederia seu desejo.
            Sob ação do medo frágil da forma humana, correu na direção oposta. Suas roupas já haviam se esvaído em meias tamanhas transformações. Já não se reconhecia e só temia a morte. Correu e correu. Desejou ter asas, mas o disparo somente o remeteu a pássaros voando para longe. E no meio das costas uma dor estonteante o amordaçou. Paralisado, caído, permaneceu.
            Alguns minutos se passaram. Uma brisa suave e fresca soprou, e com ela o desejo foi sucumbido. Ele levantou os olhos e lá estava ela. Audaciosa como no dia que o havia deixado, Helena. Ela o deu a mão, e então eles se abraçaram calma e longamente.
            Ele ameaçou falar e ela tocou-lhe os lábios.
            - Não diga mais nada.
            - Eu só queria beija-la.

            E num sutil toque de lábios os dois desapareceram em meio a brisa daquela noite estrelada e de luto.