domingo, 31 de agosto de 2014

A solução

- Ela sempre foi assim... mocreia varrida e pior, dizia que me amava e continuava lá do meu lado. A gente ia no shopping e olhava vitrines, a gente fazia tudo, tudo junto. Acho que você tem razão doutor. - ele se ajeitou no divã. - O que você acha que devo fazer?
- Por que você não muda de emprego? Arruma um hobby novo?
- Já tentei tantas coisas. - enxugou o suor na testa negra dele - Mas sabe, estive pensando...
- No que exatamente? - perguntou o psicólogo.
- E se o problema não for ela? For eu?
- Não é por isso que você está aqui?
- Fala sério! Eu quero acreditar que aquela vaca prenha está com outro cara porque eu tenho um problema.
- E você tem alguma solução em mente pra ver esse problema?
- Vou invadir a casa dela...
- Então... Isso não parece sensato. - o psicólogo ajeitou o óculos hesitando e escolhendo as palavras.
- Relaxa. Não vou fazer nada demais. Só vou pegar de volta certas coisas. - riu em seguida.
- Coisas que você deixou na casa dela?
- Não exatamente. Presentes que entreguei pra ela. - piscou sorrindo pro psicólogo. - Assim que sair de lá te ligo e falo onde você pode me encontrar, ok? - sem esperar resposta se levantou, ajeitou a bermuda e a camisa e saiu da sala.

Não demorou muito ele passou o portão do prédio parou para falar com porteiro e descobrir que ela não estava em casa. Sorrindo pegou dois clipes de papel que estavam no porta canetas do porteiro e subiu pelas escadas.
Sem dificuldade conseguiu destrancar a porta e entrar. Foi direto no quarto dela e abriu o armário. Nada que queria foi encontrado. Abriu gavetas, nada. Olhou em cima da estante e se deparou com um estojo, e em um estalo, percebeu o problema. Não era ela, era ele. Voltou para o armário e pegou três peças de roupa específicas.
Se sentou na bacada e começou a se maquiar. Talvez por sempre ver ela fazendo isso, sabia exatamente o que e como fazer. Arrumado, levantou. calçou o tênis que estava usando antes e foi em direção a porta que tinha esquecido aberta.
Parada na porta estava sua ex companheira com o cara que ele sempre suspeitou ela estar traindo. Um rapaz bonito, com cara de ser bem sucedido. Ela olhou para ele e franziu o cenho.
- Marcos?!
Ele a olhou e pôs a mão na cintura.
- É Samanta Cley pra você. - disse gesticulando como um travesti.
O casal o encarou estupefato e então ele continuou.
- Ah querida, você tem razão. O problema não é você, sou eu. Estou realizada agora. - gesticulou como se jogasse um cabelo imaginário. Saiu andando e rebolando passou pelo casal que agora estava boquiaberto.
Fora do prédio, pegou o celular e ligou para o seu psicólogo.
- Me encontre dentro da boate. - desligou em seguida.
Na rua da boate tinha um salão muito famoso. Passou e comprou uma peruca loira, colocou sobre a cabeça e rebolou pela rua até entrar pela porta da frente da boate.
Caminhou direto para o palco e pegou o microfone. Realizada, agora Samanta ia finalmente fazer o que sempre quis. Seu show ia começar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Inimigo moderno

Seja no glúten
Ou no glúteo
O inimigo é o mesmo
Mas eu ainda tenho desejo
De bacon

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Desfile

Era manhã, ensolarada. Um despertador começa a tocar, era para acordar um jovem preguiçoso. Sete de setembro, dia de desfile, quem gosta de acordar cedo? Bom, ele que não. Era domingo, ele não tinha que acordar cedo para fazer nada.
- Que merda... Não vou levantar de jeito nenhum...
De repente a barulheira do desfile começa a tocar, ele morava em um bairro simples, que o desfile passava. Morar na cobertura, ter dinheiro, não significa nada nesse caso, e ainda mais por ele odiar ser perturbado. O barulho era de pratos, trombetas e coisas bem chatas de desfile começava longe, quase inaudível.
Uma porrada no despertador fez com que o silêncio durasse mais 10 minutos.
Depois desse tempo, o barulho que começava no fim da rua, já estava dentro da casa do nosso jovem. Ele se levanta, fecha a janela, mas o barulho fica ainda maior, mesmo com o vidro fechado. Parecia não ter fim.
Ele foi enlouquecendo aos poucos até o momento em que pegou o roupão e o maior balde que tinha.
Nesse meio tempo a banda da passeata já estava na frente do prédio dele. Todo fechado, tremia com o barulho.
Ele subiu até o terraço com o balde cheio de água. E tacou a água toda lá em baixo. Em cascata ela desceu rapidamente.
Ao virar parar atrás, encontra com uma mulher toda uniformizada, com a roupa apertada, um batom vermelho bem chamativo, com o cabelo loiro preso, olhos verdes fitando-o. Ela anda até ele, e o beija bem lentamente. A sensação que ele sentia era de estar no meio de uma barulhada toda dançando todo feliz. Como se estivesse no meio da passeata se divertindo.
Então, ele acorda com suas roupas molhadas de cima a baixo, sem entender nada e sozinho no terraço como se tudo não passasse de um sonho maluco.
Se rende, troca de roupa e vai se juntar a passeata.

sábado, 9 de agosto de 2014

Formiga

No braço
Ela procura
Por doce

Agridoce

Doce sal
Sal doce
Um agridoce
Mais doce
Que aquele amargo