segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Poesia em prosa do velho português

Sendo bom ou não, a gente escolhe. Enquanto a vida devora a gente e a morte espera para nos saborear. Prefiro pensar que a morte é uma etapa passageira, quase como o próximo livro de uma coleção que somos obrigados a ler.
Em suma, suma, soma, acrescenta, senta, agacha, encaixa. Bom mesmo é a boa prosa, que fala difícil e rebusca o Aurélio, dificulta a gramática só para caçoar da gente, enquanto tentamos entender se somos o sujeito ou o predicado da nossa oração, reza ou prece. Ambígua, quase prolixa discursa palavras que desistimos de ler em voz alta e pulamos a narração da ação de algo que cai no chão.
Para falar a verdade, nem o teclado, nem minhas alergias, entendem o que o meu cérebro pensa e manda os dedos digitarem e escreverem. E pouco a pouco, soando quase oco, sentamos na cama e olhamos pela janela, enquanto o sol, em parábola, arqueia o céu, deixando seu véu de calor e amor. Ele sempre volta, certas épocas do ano vem e parece durar o dia todo, aliás, dura o dia todo. Se não for ele, é noite, de açoite com minhas ítes ou its dos estrangeirismos que nós, eu, tu, eles, sem vós ou a sós gostamos de cantar, falar, citar sem ar.
Bom mesmo, não sou eu ou você. Bom mesmo é brincar de quem sou, enquanto me desvendo e sou lido, sou lindo, vou indo, indo para aonde a vida me deixar caminhar. Talvez eu cruze aquela linha hoje, mas talvez também, as moiras me deixem viver um pouco mais. E sem mas, eu caminho em direção ao meu ninho e deito no meu leito sem ar no meu peito sentindo que ela, já vem devorar-me.