quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Katrina

Oh my Katrina
Não deixe essa sina
Levar-te de mim
Lavar-te assim

Oh my Katrina
Esse fardo pesado
Que me choras calado
Num beco sem fim a
Levar doces lamentos
quiça' té desalentos

Não cabem mais rimas
Nem filas da crina
Minha queria Katrina

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A última chance

Deitado sobre a cama, ele olhava para o teto. Seus olhos castanhos mostravam a tristeza da solidão daquela imensidão fria como o inverno nórdico. Sem demorar, senta na cama e sua camisa amarrotada, seu jeans surrado, mostravam que ele ficara deitado durante horas a espera de alguma resposta do destino - ou só de palavras que iriam ser ditas em vão.
Ele se levanta olha para o espelho depois de caminhar pelo quarto geométrico e se vê sozinho. Lembra de seu amor - que esta em algum lugar. Uma lágrima sai de seu olho e toca no chão, mas não solitárias, outras a acompanham. Mesmo com as mãos tentando enxugá-las - ou segurá-las, era em vão. Por fim se senta abraçando as pernas em posição fetal, como desejava ser - ou sempre estar.
Ele se levanta novamente, e vê sua dama deitada na cama adormecida através do espelho, do outro lado, no inatingível. Suas lágrimas sem controle molham suas mãos e deixam marcas de dedos no vidro que aos murros tentava acordá-la. Ela enfim acorda e caminha até a barreira e o toca, todos os pelos do braço dele dançam e calafrios percorrem sua espinha.
Ela pisca algumas vezes a leva a mão ao peito - como eles sempre faziam para reconfortar uns aos outros - segurando um velho medalhão com suas respectivas fotos.
Como aquele sentimento era reconfortante, ela toma coragem. Ela caminha até a cabeceira de sua cama e pega um pequeno estilete, que por sua vez desenha com sangue o seu braço todo, sujando a. Ele preferia não olhar - talvez como uma eutanásia, mas preferiu só segurar seu cordão com os punhos cerrados.
Quando a mão suja de sangue toca o vidro onde estava a mão do jovem, a barreira trinca, racha e se transforma em milhares de fragmentos.
Finalmente os dois se encontraram depois de tudo. A única coisa que iria atrapalhar ainda estava para vir. A jovem, pálida, estava nos braços de seu amado, respirou fundo e reuniu suas últimas forças.
Ele pega a cabeça dela e leva até seu peito e a sussurra - como se toda a galaxia os assistissem.
- Deixe eu te sentir uma última vez. É a última chance de sentir novamente.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 4

  Depois de sair com muito custo da nave, Marlon sentiu o cheiro do ambiente e se surpreendeu ao ver que tanto por fora, quanto por dentro, a Terra era parecida. Pra sua sorte - ou azar - ele tinha caído em um lago perto da uma cidade vizinha a que ele supostamente moraria. O barulho do meteorito atraiu algumas pessoas curiosas que passavam por ali na hora e todos olhavam assustados para ele como se ele fosse alguém de outro mundo - e fato era.
  Quando conseguiu disfarçar a câimbra que sentia, ele caminhou até uma loja de conveniência na esperança de conseguir comprar algo com seu dinheiro que acidentalmente levou no dia do embarque. Era estranho como tudo naquele mundo parecia mais vívido, mas saudável, mas ao mesmo tempo perturbador. Poucos carros passavam na rua - mesmo ele sabendo que aquele era um bairro próximo ao centro - ele adentrou a loja e pegou uma pequena garrafa de água mineral. O atendente o olhou e ficou assustado.
  - O que aconteceu com você? - disse o atendente.
  - Eu fiz uma viagem longa e perturbadora. - mas ao levantar o rosto ele se assustou. Não bastando tudo que ele tinha visto ser um reflexo invertido da Terra, as pessoas eram também. O atendente, por ele ter ido naquela loja poucas vezes, era mais atencioso. Então ele perguntou.
  - Qual o nome desse planeta?
  O atendente gargalhou e disse em alto e bom som.
  - Arret, Porque?
  - Poderia usar seu telefone?
  O atendente permitiu e ele ligou para polícia. Em poucos estantes uma viatura apareceu e o levou para a delegacia para ele contar o que tinha acontecido nas últimas horas. Algumas pessoas deram credibilidade - talvez por causa das roupas - outras riram e falaram para ele parar de se drogar.
   Quando ele finalmente saiu da delegacia, pegou um taxi que o levou até o comitê de saúde pública. Chegando lá encontrou a recepcionista que o encaminhou para o setor de pesquisas, sempre contando sua história de vida.
   Quando ele finalmente contou pela milionésima vez, o pesquisador chefe acreditou e contou a ele que as pesquisas deles estavam começando a vasculhar fora do planeta. Não só isso, como também contou a ele que naquele mundo, pessoas com aquela doença viviam muito mais tempo que as pessoas sem, e, que as pesquisas estavam tentando a desenvolver em laboratório para que todos pudessem se infectar e viver mais.
   Marlon ouviu tudo com o queixo caído e por fim caiu em prantos. Depois de se acalmar ele respirou fundo e pediu ao cientistas.
  - Quero saber... Podem fazer uma cura?
 O cientista gargalhou e por fim falou.
  - Já temos a cura.
  Foi então que tudo transformou-se. Ele tinha a solução, mas não sabia se deveria tomá-la, ou se deveria saber como criá-la e voltar para sua vida. O medo e a falta de esperança tomou conta dele, mas evitando de pensar naquilo saiu do laboratório de pesquisas. Haviam pessoas que ele tinha que falar ainda.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Equilíbrio

  Acordei de manhã, pensando que nada importava. A escuridão reinava no meu território - como sempre reinou - impetuosa e envolvente, mas pequeno feixes de luz lutavam para iluminar dentro do ambiente que eu estava como uma aura branca refletida na parede por debaixo do tecido do blackout.   Era um tecido empoeirado, além de pesado. seu cheiro era de plástico velho, tão velho que o branco estava amarelado.
  Eu tive de hesitar em mexer nele, afinal não sabia o que tinha do outro lado, não sabia se seria um mundo compreensivo ou obscuro, não sabia se seria luz ou escuridão, não sabia de nada, nada. Tirei palavras de força e coragem do fundo de mim, alguém lá dentro sabia que tinha que levantar e não deixar as 8 pernas tecessem teias em mim. Andei até a cortina e posicionei minhas mão sobre o tecido empoeirado, apertei até as unhas ficarem brancas para deixar minhas marcas ali, e, com toda força puxei para os lados tentando abrir caminho - como quem joga pedras pesadas para o lado. Era como pedras. A luz entrou em feixes gentis e suaves e retos, - não era ruim, nem machucou meus olhos - confesso que com medo, fechei meus olhos sem saber se minhas pupilas adaptariam rápido ou não, foram alguns anos no escuro. Mas agora sabia quem era, sabia de coisas que me agrediram fortemente antes.
  As partículas de poeira dançaram tristes e felizes e meu nariz coçou. O quarto, localizado no segundo andar de uma casa - percebia-se pela altura que a janela estava do chão.
  A rua em frete a minha janela era de paralelepípedos, não tinha muitas casas, e também tinham muitas árvores. Novamente palavras de coragem dançaram no meu lábio, para fazer coisas jamais vistas pelo ser humano, ou de pelo menos ser quem eu almejava, quem me fazia feliz. Abria janela e o vento gelado do inverno com gotículas de orvalho umedeceu meu rosto quebradiço, entrava pela minhas mangas compridas, arrepiando cada pelo do meu corpo. Tentei subir, mas palavras que tinham me dito de desencorajamento me fizeram fraquejar. Após me recuperar lá estava eu, de pé no para peito da janela, segurando no vidro. Sentindo a luz do sol, aquela luz quente.
  Peguei impulso, depois de tatear o vidro algumas vezes, pulei e lá estava eu, sobrevoando meu quarteirão. Bastantes verdes, gente fazendo afazeres dos mais variados. Dor, sofrimento, mágoa, sabia da existência, mas estavam perdidos em algum lugar - e não seria eu quem os procuraria.
  Não tinha de me importar. Chegara a hora de realizar o meu sonho, realizar coisas que sempre tive medo por causa do que diriam. Finalmente estava no equilíbrio que sempre aspirei - não como uma balança, mas como algo ou alguém melhor. Eu estava no ponto certo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 3

   Ele finalmente tinha conseguido o cartão verde - objeto adquirido pós bateria de treinos espaciais - e de todas as experiências vividas, essa seria sem dúvida a mais excêntrica que ele iria passar. Marlon e sua esposa fizeram juras de amor e se despediram, afinal de contas, não sabiam se iam se ver novamente. Ele fechou o macacão de astronauta e caminhou até a escada e adentrou na espaçonave. Uma salma de palmas rompeu depois de iniciada pela sua amada esposa que estava em prantos, mas com um sorriso nos lábios.
   A primeira camada foi transpassada. A segunda. A terceira. A quarta. A última.
   De repente toda a pressão sobre humana que era feita no corpo dele parou de ser feita e o corpo dele pareceu mais leve e o cinto de segurança o deu suporte. Era magnifico, negro, mas ao mesmo tempo assustador e intrigante, aquele infinito.
  Marlon agora estava sozinho no espaço. Nunca em toda vida dele ele pensou que aquilo aconteceria, mas o mais interessante, realizou um sonho que toda criança em algum momento deseja - mesmo que esse não fosse o dele.
  Dali ele olhou em volta. Procurou no painel o botão que ativava o nitro da nave. Todavia, antes que ele pudesse apertar, percebeu movimento espiralando em um ponto. Diminuiu a velocidade até quase parar e observou que até a luz convergia naquele ponto. Viu então formar-se um buraco negro.
  Pensou em mudar a direção da nave, porém lembrou da voz de sua mãe lhe dando o conselho no sonho. Mirou a nave e acelerou ao máximo na direção do buraco negro. Adentrou nele e percorreu por uns micro estantes um corredor preto, até que decidiu acelerar a nave para frente com algum intuito de ir a algum lugar. Por fim conseguiu sair, saiu em um outro espaço sideral, talvez outra galaxia, talvez outra dimensão. Olhou no painel e viu que restava pouco combustível.
   Pelo sondar da nave avistou algo que parecia com um satélite e foi na direção dele. Depois de alguns minutos, quando quase não restava mais combustível na máquina, terminou de por a roupa e saiu com sua mochila a jato para o satélite fazer contato com algum lugar, seja lá qual fosse ele.
  - Mayday, mayday! - ele dizia para alguém ouvir - SOS!
  - Captamos o seu sinal. Quem fala? - uma voz emergencial soava em resposta.
  - Aqui é Marlon Silva. Estou preso em um satélite que sondava essa área.
  - Seja lá quem é você rastrearemos e mandaremos um comando para você. Assim que esse comando for emitido entre na cápsula e o direcione a para as coordenadas que enviaremos.
   Ele esperou um total de 5 minutos que na sua cabeça pareciam uma eternidade de adrenalina e nervosismo. Por fim uma luz amarela com uma numeração acendeu próxima ao gancho do compartimento interno que Marlon se encontrava. Ele repetiu algumas vezes a numeração e entrou na nave.
   Para sua sorte a língua era a universal usada em para assuntos extra terrenos. Digitou as coordenadas e a cápsula se desprendeu para viajar ao seu destino. Ele por fim respirou aliviado com a adrenalina acabando.
   - Meu Deus! - exclamou sem conseguir conter a surpresa ao ver que todos os desertos que a terra tinha, tinham sido cobertos por manchas verdes gigantescas que ao ver dele eram florestas, e, para sua surpresa ainda maior não viu lixo espacial algum, sentia que aquela não era a terra. Mas um oposto mais vivo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Delicadeza

Tudo começou em uma quinta feira, dia vinte e três, o ano era 2009. Um dia nublado, conveniente a não levantar da cama. Um radio empoeirado repousava silencioso sob uma mesa madeira desgasta pelo tempo. Quando já passava da metade do dia, a porta se abre, e dela surge ela, dócil, amável, esplendida como sempre fora. Os olhos me fitaram na cadeira com meu formato, e as mãos me afagaram a cabeça.
Ela tinha entrado carregando sua bagagem de praxe - uma mochila e sua bolsa branca amarelada com suas parafernálias - mas com somente utensílios dela própria. Ao parar próxima a nossa mesa empoeirada esticou o braço, o ligou e olhou para o jardim do lado de fora, repleto de flores que combinavam com o aspecto vintage que nossa casa tinha - que eu sempre detestei.
De leve as gotas de chuva sob as folhas começaram a cair uma a uma, molhando com delicadeza a terra, ela sorria mais em dias nublados, ela era o sol. 
Sabia que o radio não tocava imediatamente, então saiu da casa e foi andar sobre a calçada esburacada e cheias de sulcos - nunca entendi esse amor dela por natureza, tão pouco o apresso pelo cheiro de chuva.
Parada no sinal, olhos atentos acompanham a mudança das cores piscando lentamente. A rua vazia de pessoas, mas cheias de carros andando no ritmo cortante, ela atravessava a poeira levantada dos carros, sem medo nem olhar. Ela achava que a vida era efêmera demais para ter carros, por isso andava tudo a pé - inclusive em dias chuvosos.
Ela me deixou sozinho, de novo. Ela me deixou ouvindo a música que me lembrava a ela. Ela me deixou marcas que como nossa árvore tem, ficarão cicatrizes. Por que ela não viveu um pouco mais? Hoje não sorrio, não gosto do sol. Hoje não sou árvore vívida, nem terra úmida. Hoje sinto minha delicadeza, como se ela não tivesse deixado, mas tivesse se tornado parte de mim.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 2

   Sentado naquele banco gelado, ele triste não via escapatória senão encontrar com a morte. Pensou em se matar algumas vezes. Pensou em dar adeus a vida. Pensou em tantas coisas, que o dia já estava chegando ao fim e o telefone tocou. Sua mulher preocupada fez as perguntas sobre a consulta e ele contou, para a surpresa dele, ela não chorou, ao invés, foi forte e o incentivou, e disse palavras de fé. Nada que fizesse ele querer viver mais.
  Doença maldita. Ele atingido, caminhou até em casa sentindo o inverno chegar aos poucos em forma de brisa. Antes de passar o portão de casa sentou na escadinha e chorou sozinho, calado, sem ruídos. Passou o portão e foi se banhar. Mesmo tentando comer algo, resolveu deitar na cama e dormir em uma tentativa talvez frustrada de sonhar com sua falecida mãe, sua esperança, até seu pai.
   O dia demorou para amanhecer porque ele acordou algumas vezes assustado e chorando. Acordou antes do despertador. E tomou um café sem açúcar, não queria sentir doce, não quis ouvir música, não quis falar com ninguém no trabalho. Simplesmente não quis mais nada. Nada.
    Pensou em comprar um faca nova e matar-se. Mas entre um pensamento e outro surgiu uma luz na televisão do refeitório. Em uma reportagem, o âncora anunciou que mais alguns países aderiram a luta contra a maldita.
  Pegou o telefone e ligou para o setor de teleatendimento do comitê de saúde internacional. Funcionava das 9 da manhã até as 4 da tarde. Correu até lá.
- Boa tarde. Gostaria de me inscrever no trabalho voluntário. - ele disse à atendente. - Faço qualquer coisa.
   Ele anotou o nome dele a assinou um termo de compromisso. Voltou então para casa sorrindo, diferente do dia anterior.
   Chegou em casa e foi recebido pela mulher animada. Conseguiu comer tranquilo, poderia ter os dias contados, mas não deveria perder a garra contra a maldita. Se deitou para tirar um cochilar e sonhou com sua mãe.
- Não desista, meu filho. - ela sorria afavelmente. - Você conseguirá, acredite. As vezes temos que fazer sacrifícios.
- O que quer dizer com isso, mãe? - ele perguntou e não obteve resposta. - Quer que eu seja kamicase?
- Meu filho, isso que você tem, é apensa um empecilho da vida, eu acredito em você para superar esse problema, acredite também.
   O despertador tocou. Em um pulo, ele tomou um banho e foi tomar o café com sua mulher e ouviram na televisão que pesquisadores iriam procurar A Cura fora do planeta e estavam recrutando ajudantes, pois os astronautas não estavam interessados nessa viagem que poderia ser sem destino e sem roteiro. Ele olhou para a televisão com os olhos brilhando e falou com ela.
   Correu para o centro do comitê e se voluntariou, era o primeiro. O único. O corajoso.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O começo

Sentadas em um mesa redonda, quatro pessoas conversavam.
O primeiro era um Homem, cabelos curtos e arrepiados, loiros, olhos castanhos claros, emanava energia ou calor, um pouco iperativo, carinhoso e piedoso com as outras pessoas.
O segundo homem tinha cabelo ruivos curtos e ondulados, puxados para o preto, olhos castanho escuro, não emitia calor, mas seu temperamento era variável.
A primeira mulher tinha cabelos compridos lisos e pretos, olhos azul cristal, não emitia calor, pelo contrário, fica perto dela era sentir frio, totalemente impiedosa parecia até, sem sentimentos.
E por último, a outra mulher, com cabelos compridos cacheados, castanhos puxados para o loiro, olhos verdes, cheia de vida, emitia um calor diferente, mas também era capaz de fazer o frio.
- Acho digníssimo que possamos usar nossos poderes, afinal entre nos mesmos nunca consiguiremos. Um cancela o outro. - Disse o segundo homem.
- Também acho legal. Por que não criamos uma raça e submetemos eles a nossos poderes? Se não der certo, desistimos. - Disse a mulher dos cabelos pretos escorridos.
- Então mãos a obra, o tempo corre, voa. - Disse o loiro.
Depois de algumas horas a raça e os locais de utilização estavam prontos, eles só precisavam decidir a ordem de quando cada um usará.
- Como um cancela o outro podemos por alternado. - Disse o homem loiro.
- Muito bom Verão, acho que agora estamos tendo progresso. - Disse a mulher dos cabelos negros.
- Então virei antes de você, pois não quero minhas flores mortas por ninguém. Está bem, querida Inverno? - Disse a mulher dos cabelos cacheados
- Pode ser, Primavera. Obviamente virei antes de você e antes de mim...
- Será eu - Disse o Outono interrompendo sua irmã.
Depois de muita falação ficou assim:
Primeiro o Verão, com seus raios de sol trazendo a energia do calor para os seres vivos. Depois, o outono com suas manhãs aconchegantes e suas noite frias, conhecido como imparcial, gostava de todos, menos de sua irmã Primavera. Em seguida, vem a Inverno, com sua impiedade e seus dias brancos destruidores. Por fim, a Primavera, com suas flores vivas seu humor bom e contagiante, com suas colheitas abundantes, para, no fim, repetirem tudo novamente.
Durante anos eles conviveram com os homens pacificamente, até que estes últimos foram deturpando tudo e se mostrando criaturas inconvenientes. Foi então que os quatro irmãos decidiram castigá-los para ver se o ser inferior aprenderia, mas os anos passaram, passaram e por fim, aprenderam a conviver com a natureza e não afrontá-la, alcançando a autonomia e o controle. Mas de toda forma, toda vez que um homem confronta a natureza, ela revida com muito mais força, para mostrar e educar a maneira correta de se portar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 1

   Já não fazia muito tempo que o jornal tinha começado quando os âncoras anunciaram a morte de mais um cientista. Eles prestaram mais um minuto de silêncio em homenagem ao pesquisador. O mundo, nos últimos três meses tinha perdido personalidades importantíssimas para o setor de pesquisas biológicas. Infelizmente ela ainda era a doença que mais matava. Com tantas outras sendo erradicadas, essa ainda era o maior problema. Foi então que o presidente do comitê de saúde mundial se pronunciou pela primeira vez.
- Estamos diante de um grande problema. - ele disse escolhendo as palavras cuidadosamente - Acredito que finalmente podemos decretar estado de emergência mundial. Todas as nações que desejarem ajudar, por favor, se pronunciem. Nossa ouvidoria está a postos.
   No centro de ouvidoria do comitê os telefones dispararam e as atendentes ouviam reclamações, sugestões e trotes de adolescentes desocupados.
   Em um bairro nobre não muito longe do local que era a sede do comitê de saúde mundial morava um rapaz que beirava os 30 anos com os cabelos castanhos e olhos cansados. Marlon era um estudante de direito da universidade da cidade e estava muito chateado com a situação de ver a maioria dos cientistas morrendo. Tinha perdido o pai pra ela tinha alguns meses e não gostava da ideia dessa assombração perseguindo todas as pessoas como alguém encapuzado com uma foice.
   Quando o minuto de silêncio acabou, os âncoras continuaram o telejornal e noticias melhores vieram, para surpresa do mundo. Ele e a mulher dele jantaram calados sem os assuntos de mesa por causa do aniversário de morte do irmão dela. Um clima fúnebre pairava no ar e então uma notícia de última hora tocou no jornal.
- Foram confirmadas participações de 5 novos países na luta contra a doença.
   Eles se olharam e ela desligou a televisão irritada.
- O que poderia ser feito? É o máximo? Já olharam todos os meios de combate. - ele disse em seguida.
- Mas não é possível, tem que ter alguma coisa que possa ser feito. - mexeu no cabelo em seguida.
- Chega de falar nisso. Me conte, você tem algo para fazer amanhã, meu amor?
- Eu vou ao médico mostrar meus exames, por que?
- Eu tinha pensado em dar uma volta no parque, sei lá.
   Eles assentiram calados e foram se deitar para dormir. No dia seguinte, eles acordaram cedo e tomaram um café reforçado e ele saiu. Escapou do transito matinal até chegar no consultório indo a pé. Como era o primeiro a ser atendido logo entrou na sala do médico.
- Bom dia doutor. - ele disse com o rosto ainda inchado.
- Bom dia! - ele disse entusiasmado em contraste - Deixa eu dar uma olhada no seus exames. - pegou os papeis e deu uma olhada. seu rosto continuava sorridente, mas ele levantou e falou. - tenho uma noticia para te dar.
Marlon continuou calado esperando que ele continuasse e ele então falou.
- Detectamos um inicio dela. - disse ainda sorrindo.
- Mas como isso? É sério? - ele disse embasbacado - Então eu vou morrer...
- Não exatamente, jovem. - ainda sorrindo, sua calma passava um pouco de calma para ele - Vamos ficar em observação, para então fazer um tratamento.
- E como você fala isso sorridente?
- Olha meu filho, aprendi isso em anos de prática - sua idade era transmitida pelos cabelos brancos - falar tenso é muito pior. Bom, por hoje é só. Te vejo mês que vem. Entre em contato se acontecer algo.
   Marlon saiu do consultório e se sentou na praça desolado sem saber o que fazer.