sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A última chance

Deitado sobre a cama, ele olhava para o teto. Seus olhos castanhos mostravam a tristeza da solidão daquela imensidão fria como o inverno nórdico. Sem demorar, senta na cama e sua camisa amarrotada, seu jeans surrado, mostravam que ele ficara deitado durante horas a espera de alguma resposta do destino - ou só de palavras que iriam ser ditas em vão.
Ele se levanta olha para o espelho depois de caminhar pelo quarto geométrico e se vê sozinho. Lembra de seu amor - que esta em algum lugar. Uma lágrima sai de seu olho e toca no chão, mas não solitárias, outras a acompanham. Mesmo com as mãos tentando enxugá-las - ou segurá-las, era em vão. Por fim se senta abraçando as pernas em posição fetal, como desejava ser - ou sempre estar.
Ele se levanta novamente, e vê sua dama deitada na cama adormecida através do espelho, do outro lado, no inatingível. Suas lágrimas sem controle molham suas mãos e deixam marcas de dedos no vidro que aos murros tentava acordá-la. Ela enfim acorda e caminha até a barreira e o toca, todos os pelos do braço dele dançam e calafrios percorrem sua espinha.
Ela pisca algumas vezes a leva a mão ao peito - como eles sempre faziam para reconfortar uns aos outros - segurando um velho medalhão com suas respectivas fotos.
Como aquele sentimento era reconfortante, ela toma coragem. Ela caminha até a cabeceira de sua cama e pega um pequeno estilete, que por sua vez desenha com sangue o seu braço todo, sujando a. Ele preferia não olhar - talvez como uma eutanásia, mas preferiu só segurar seu cordão com os punhos cerrados.
Quando a mão suja de sangue toca o vidro onde estava a mão do jovem, a barreira trinca, racha e se transforma em milhares de fragmentos.
Finalmente os dois se encontraram depois de tudo. A única coisa que iria atrapalhar ainda estava para vir. A jovem, pálida, estava nos braços de seu amado, respirou fundo e reuniu suas últimas forças.
Ele pega a cabeça dela e leva até seu peito e a sussurra - como se toda a galaxia os assistissem.
- Deixe eu te sentir uma última vez. É a última chance de sentir novamente.

2 comentários:

  1. Sensacional, um dia quero ler todos os seus contos, já virei fã :)

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    1. Obrigado! De onde veio esse tem muito mais, fique ligado.

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