quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 1

   Já não fazia muito tempo que o jornal tinha começado quando os âncoras anunciaram a morte de mais um cientista. Eles prestaram mais um minuto de silêncio em homenagem ao pesquisador. O mundo, nos últimos três meses tinha perdido personalidades importantíssimas para o setor de pesquisas biológicas. Infelizmente ela ainda era a doença que mais matava. Com tantas outras sendo erradicadas, essa ainda era o maior problema. Foi então que o presidente do comitê de saúde mundial se pronunciou pela primeira vez.
- Estamos diante de um grande problema. - ele disse escolhendo as palavras cuidadosamente - Acredito que finalmente podemos decretar estado de emergência mundial. Todas as nações que desejarem ajudar, por favor, se pronunciem. Nossa ouvidoria está a postos.
   No centro de ouvidoria do comitê os telefones dispararam e as atendentes ouviam reclamações, sugestões e trotes de adolescentes desocupados.
   Em um bairro nobre não muito longe do local que era a sede do comitê de saúde mundial morava um rapaz que beirava os 30 anos com os cabelos castanhos e olhos cansados. Marlon era um estudante de direito da universidade da cidade e estava muito chateado com a situação de ver a maioria dos cientistas morrendo. Tinha perdido o pai pra ela tinha alguns meses e não gostava da ideia dessa assombração perseguindo todas as pessoas como alguém encapuzado com uma foice.
   Quando o minuto de silêncio acabou, os âncoras continuaram o telejornal e noticias melhores vieram, para surpresa do mundo. Ele e a mulher dele jantaram calados sem os assuntos de mesa por causa do aniversário de morte do irmão dela. Um clima fúnebre pairava no ar e então uma notícia de última hora tocou no jornal.
- Foram confirmadas participações de 5 novos países na luta contra a doença.
   Eles se olharam e ela desligou a televisão irritada.
- O que poderia ser feito? É o máximo? Já olharam todos os meios de combate. - ele disse em seguida.
- Mas não é possível, tem que ter alguma coisa que possa ser feito. - mexeu no cabelo em seguida.
- Chega de falar nisso. Me conte, você tem algo para fazer amanhã, meu amor?
- Eu vou ao médico mostrar meus exames, por que?
- Eu tinha pensado em dar uma volta no parque, sei lá.
   Eles assentiram calados e foram se deitar para dormir. No dia seguinte, eles acordaram cedo e tomaram um café reforçado e ele saiu. Escapou do transito matinal até chegar no consultório indo a pé. Como era o primeiro a ser atendido logo entrou na sala do médico.
- Bom dia doutor. - ele disse com o rosto ainda inchado.
- Bom dia! - ele disse entusiasmado em contraste - Deixa eu dar uma olhada no seus exames. - pegou os papeis e deu uma olhada. seu rosto continuava sorridente, mas ele levantou e falou. - tenho uma noticia para te dar.
Marlon continuou calado esperando que ele continuasse e ele então falou.
- Detectamos um inicio dela. - disse ainda sorrindo.
- Mas como isso? É sério? - ele disse embasbacado - Então eu vou morrer...
- Não exatamente, jovem. - ainda sorrindo, sua calma passava um pouco de calma para ele - Vamos ficar em observação, para então fazer um tratamento.
- E como você fala isso sorridente?
- Olha meu filho, aprendi isso em anos de prática - sua idade era transmitida pelos cabelos brancos - falar tenso é muito pior. Bom, por hoje é só. Te vejo mês que vem. Entre em contato se acontecer algo.
   Marlon saiu do consultório e se sentou na praça desolado sem saber o que fazer.

2 comentários:

  1. Quando você irá postar a segunda parte? Esperarei ansiosamente!

    http://umaleituraqualquer.blogspot.com.br/

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  2. Semana que vem vou publicar a segunda. Já está escrita até!

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