quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Viagem ao negro 4

  Depois de sair com muito custo da nave, Marlon sentiu o cheiro do ambiente e se surpreendeu ao ver que tanto por fora, quanto por dentro, a Terra era parecida. Pra sua sorte - ou azar - ele tinha caído em um lago perto da uma cidade vizinha a que ele supostamente moraria. O barulho do meteorito atraiu algumas pessoas curiosas que passavam por ali na hora e todos olhavam assustados para ele como se ele fosse alguém de outro mundo - e fato era.
  Quando conseguiu disfarçar a câimbra que sentia, ele caminhou até uma loja de conveniência na esperança de conseguir comprar algo com seu dinheiro que acidentalmente levou no dia do embarque. Era estranho como tudo naquele mundo parecia mais vívido, mas saudável, mas ao mesmo tempo perturbador. Poucos carros passavam na rua - mesmo ele sabendo que aquele era um bairro próximo ao centro - ele adentrou a loja e pegou uma pequena garrafa de água mineral. O atendente o olhou e ficou assustado.
  - O que aconteceu com você? - disse o atendente.
  - Eu fiz uma viagem longa e perturbadora. - mas ao levantar o rosto ele se assustou. Não bastando tudo que ele tinha visto ser um reflexo invertido da Terra, as pessoas eram também. O atendente, por ele ter ido naquela loja poucas vezes, era mais atencioso. Então ele perguntou.
  - Qual o nome desse planeta?
  O atendente gargalhou e disse em alto e bom som.
  - Arret, Porque?
  - Poderia usar seu telefone?
  O atendente permitiu e ele ligou para polícia. Em poucos estantes uma viatura apareceu e o levou para a delegacia para ele contar o que tinha acontecido nas últimas horas. Algumas pessoas deram credibilidade - talvez por causa das roupas - outras riram e falaram para ele parar de se drogar.
   Quando ele finalmente saiu da delegacia, pegou um taxi que o levou até o comitê de saúde pública. Chegando lá encontrou a recepcionista que o encaminhou para o setor de pesquisas, sempre contando sua história de vida.
   Quando ele finalmente contou pela milionésima vez, o pesquisador chefe acreditou e contou a ele que as pesquisas deles estavam começando a vasculhar fora do planeta. Não só isso, como também contou a ele que naquele mundo, pessoas com aquela doença viviam muito mais tempo que as pessoas sem, e, que as pesquisas estavam tentando a desenvolver em laboratório para que todos pudessem se infectar e viver mais.
   Marlon ouviu tudo com o queixo caído e por fim caiu em prantos. Depois de se acalmar ele respirou fundo e pediu ao cientistas.
  - Quero saber... Podem fazer uma cura?
 O cientista gargalhou e por fim falou.
  - Já temos a cura.
  Foi então que tudo transformou-se. Ele tinha a solução, mas não sabia se deveria tomá-la, ou se deveria saber como criá-la e voltar para sua vida. O medo e a falta de esperança tomou conta dele, mas evitando de pensar naquilo saiu do laboratório de pesquisas. Haviam pessoas que ele tinha que falar ainda.

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