quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Missão dos Ciclos 1

  Normalmente as pessoas acham que a idade de Daniel é muito pequena para fazer grandes atos. Mas a verdade, é que a bondade e a maldade podem estar em qualquer um - independente de quão velho a pessoa for. - E mesmo que as pessoas apontassem para ele e rissem de suas atitudes, Daniel ainda era uma bom menino. - como todo menino de 10 anos deveria ser.
  Acontece que um belo dia - talvez não tão belo assim - ele tinha ido ao colégio, e seus amigos riram dele - como de costume - mas fizeram algo que chatearam ele demais: Colocaram insetos dentro do seu estojo e do seu caderno, e ele, como odiava insetos ficou muito triste, voltando para casa sozinho e chorando. Daniel vivia numa cidade pequena - dessas que todos se conhecem, fingem que se gostam, mas se odeiam, dessas que todos sabem até quando cada um vai ao banheiro, mas discretamente não falam nada - depois de chegar em casa, e ver que a mãe bebia mais uma garrafa de uísque - não tinha noção que ela era alcoólatra por ser muito novo, e sua mãe dizia sempre que era guaraná. E ele acreditava por ela esvaziar a garrafa de vidro e por em uma de plástico. - sentada na mesa com os olhos vermelhos e marejados. Ele gostava de pensar que ela tinha um dia difícil. Mas esse dia não. Somente se trancou no quarto e esperou que a vida desse um sinal de vida que iria melhorar ou só parar de caçoar dele.
  Caiu no sono algumas vezes, porém acordou com dificuldade de respirar como qualquer pessoa que tinha asma e outras doenças respiratórias devido ao choro incessante. Todavia, já tinha passado algumas horas e ele sabia que no dia seguinte não iria ter aula por ser um feriado. - não importava o feriado, nunca importou, ele tem só 10 anos. - Mas quando abriu os olhos conseguiu perceber um barulho longe, mas diferente de tudo que tinha ouvido. Era algo como quando você pega um graveto e balança sem parar cortando o ar. - brincadeira de chamar morcegos, como ele chamava - Mas o barulho estava longe e não imaginava que um graveto poderia fazer um barulho que mesmo ao longe seria alto.
  Então ele levantou da cama, abriu a persiana e a janela procurando no chão, na vizinhança e depois os olhos subiram ao céu. Ao longe viu uma nuvem que nunca tinha visto: Branca como as demais, mas fina como um risco de giz no quadro negro, mas a ponta era grossa, como a ponta de um cotonete. Aquilo riscava o ar rapidamente deixando seu rastro. Pensou até que era um avião - como aquele que o pai morrera - mas vinha rápido e na sua direção.
  De repente um clarão branco e forte aconteceu e depois ficou tudo negro - como quando dormimos. - Ele abriu os olhos e viu um rapaz usando um jaleco comprido, que se virou para ele e falou.
- Olá pequenino, finalmente você acordou. - ele disse fechando o livro que lia.
- Onde estou? Quem é você?
- Você está na sala de recuperação do Instituto Bela Vida. E eu sou seu companheiro de jornada Jardel.
- Cadê minha mãe?
- Sua mãe ficou em casa, mas fique tranquilo ela deixou você vir comigo. Agora venha, vamos resolver umas coisas.
  Ele assentiu calado e o seguiu.
- Tenho que fazer alguma coisa?
- Sim, você agora terá que cumprir uma série de missões.
- O que eu ganho com isso?
- Uma vida melhor.
Ele assentiu calado e aceitou ajeitando o cabelo castanho claro.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Viagem ao negro 5

  Ele finalmente tomou coragem e parou na frente da "sua" casa. Era estranho como ela parecia ser a única que não era espelhada da que tinha no seu mundo. E além disso o portão não estava trancado - exatamente como a sua ficava sempre. - Ele entrou no portão e pensou em entrar direto, mas hesitou e tocou a campainha. Por fim tocou de novo, e seu sósia abriu o portão.
  Depois de cambalear ao ver alguém exatamente igual a ele - e não era em um espelho - contou tudo que tinha acontecido até os últimos estantes e seu sósia assentiu calado fazendo uma cara de surpreso.
- Você disse que a tem! - disse o sósia dele se referindo a doença.
- Infelizmente... E suspeito que aqui não me darão a cura.
  Por fim estavam os dois sentados no sofá da sala confabulando sobre o destino, mas antes que se lembrassem que era tarde um deles falou.
- Mas a sua mulher, ou a minha... Já não sei mais nada... Acho que tanta coisa aconteceu em período de tempo tão curto que se descobrisse que eu não sou eu, não acharia estranho...
- Está vindo sim! - o morador daquela dimensão lembrou. - Faça o seguinte: encontre-me na fonte aqui perto em 10 minutos.
  Marlon saiu da casa e se dirigiu imediatamente para longe da casa e depois para a fonte que ficava a alguns quarteirões dali. Não demorou muito e o seu sósia apareceu.
- Estive pensando no caminho pra cá.
- No que? - Marlon perguntou.
- Você disse que eu sou sua cópia exata, exceto pela doença, certo?
- Certo. Inclusive sua casa é igual a minha.
- Então já sei exatamente o que fazer! - Marlon assentiu calado e ele continuou - vou me candidatar para ir fora do planeta. Podemos trocar de vidas, acha que consegue?
- E largar tudo para trás?
- Sacrifícios são necessários, lembra? - ele falou se referindo ao sonho da mãe.
Marlon respirou fundo e por fim falou.
- Eu aceito, será nossa vida secreta. - disse com um sorriso marejado.
  Eles se abraçaram e choraram um pouco juntos. Trocariam de lugar e viveriam no lugar do outro secretamente até que achassem uma forma de ajudar todas as pessoas dos seus respectivos mundos.

  Uma semana se passou e eles finalmente se despediram. O sósia de Marlon adentrou na espaçonave, depois de um treinamento secreto enquanto Marlon viveu como ele, rumo ao buraco negro e ao planeta Terra. Poucos dias se passaram depois que Marlon tinha se acostumado a sua vida diferente, e por isso, era como se nunca tivesse saído de casa - afinal só trocava o jeito das pessoas na rua, mas em casa era a mesma coisa. - Ele também ajudou a infectar sua mulher atual para que ambos pudessem viver juntos até o fim da vida.
  Em uma viagem que Marlon fez com sua mulher ele contou a verdade e ela sorriu satisfeita sabendo que aquela seria a mesma coisa que o outro teria feito. E então eles se deitaram no gramado de uma cidade que eles estavam visitando e ficaram olhando as estrelas conversando sobre como estaria a vida do outro lado da galaxia. E na outra galaxia, o sósia de Marlon estava sentado no jardim tomando um café junto com sua mulher, falando juras de amor e se perguntando como estariam todas as pessoas que conhecia, mas sabendo que agora estava onde sempre desejara estar e ajudando a procurar uma cura para a maldita.