sexta-feira, 31 de julho de 2015

Estrelas

Estrelas
Que ali brilham
Para ti

Mostram a
Verdade nua
E crua

Das Rosas, 
Violetas e
Lírios

Qu'aspiram
O bem e o mal
De hoje

Pois te
Ver me mostra
O andar

Felino
Caminhando por
janelas

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Não deixe que a felicidade vire doença

As pessoas estão cinza. Me preocupo com o dia a dia porque vejo as pessoas reclamando, sérias esperando em filas, com medo, sem vontade de viver, sem nem entender o que acontece. Mas para isso tudo existe um motivo, um único alvo: A felicidade. Colocar como objetivo ou meta, torna tudo, sem a mínima exceção, chato e sem brilho algum, porque paramos de ver as coisas como elas são, e nos frustramos por causa disso.
A frustração acaba quando vemos algo pequeno como aquele diamante precioso que sempre desejamos. Não é pensar pequeno, é parar de pensar que para ser feliz é preciso ter aquela promoção, ou ter o carro do ano, ou até o celular de última geração com todos os aplicativos.
Mas infelizmente, o ser humano não está preparado para lidar com um grande não. E isso gera infelicidades das mais variadas quando a própria vida diz que não é a hora. Você é o que você é e isso basta, não inveje o outro porque ele tem mais.
O problema real é que parece inalcançável - tirando as exceções - e não vemos porque não queremos ver, que nós não alcançamos porque não vemos o trajeto. E quem vê sofre um segregação das mais severas. Eles são infectados com a "doença" da felicidade e sorriem com o que já acontece. - e não adianta dizer que elas não pensam grande.
Não deixe que a felicidade vire doença. Porque ela é a solução, o caminho e a luz que todos precisam. Se infectem com esse vírus e espalhem a ideia oposta. Até mesmo os vírus sabem que no momento que muitos estão morrendo por causa daquela doença, ele se torna menos letal, em ordem de não acabar com seus hospedeiros. Se eles conseguem ser inteligentes, nós somos ainda mais. Façam da tristeza, uma doença.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Coco

Estava no ponto de ônibus como qualquer pessoa. Passou um que não servia. E outro. E outro. Depois mais um. Onde estaria o diabo do meu ônibus que não aparecia nem por um decreto?
Revoltado, caminhei mais dois quarteirões para ter outra variedade de ônibus. - morar longe do trabalho não é fácil, acredite -. Pra minha sorte - ou azar - moro num local que pegando uma condução, chego onde eu quero.
Peguei o bendito... Um roubo, mas paguei. Com muita sorte consegui um local para ficar em pé, porque naquela hora, não existe lugar para se sentar e esperar a viagem passar. Depois de encarar uma hora de pé, balançando na dança estranha que é ficar de pé, consegui um lugar.
Sentei aliviado, mas foi então que o ônibus deixou entrar uma senhora que tinha um dos olhos totalmente branco por causa da catarata avançada. E pelo que parecia ela não tinha dinheiro para pagar a cirurgia porque contou as moedas para pagar o ônibus.
Ela chamou minha atenção por causa da calma que fazia tudo e do bom dia que ela tinha dado para o motorista. Parada na roleta mesmo, ela esperou a viagem - que era longa.
Pouco antes da mudança do trajeto muitas pessoas saltaram para pegar o metro e ele esvaziou. Eu sabia que poderia continuar minha viagem e então me sentei na janela, vagando o lugar do meu lado. Ela sentou pedindo licença e sorriu para mim. O ônibus entrou no túnel e ela começou a falar.
- Na maioria das vezes a vida está testando a gente... - a voz dela era como uma voz de uma senhora de idade.
A cabeça dela mirava a frente.
- Mas é difícil... - eu respondi cabisbaixo - Não acha?
- Não... Sabe, se tem uma coisa que aprendi, é que a gente complica sem motivo. A gente não entende propósitos maiores, a vida não é uma mangueira que a gente só colhe frutos.
Fez uma pausa e tocou meu braço.
- Tudo pode estar ruim. Tudo pode estar desencaminhado. Tudo pode parecer turvo, acredite sei como é ver as coisas turvas. Mas amei meu pai, mesmo ele chegando bêbado e me batendo. Amei minha mãe, mesmo ela me abandonando com aquele alcóolatra. Amei meu irmão, mesmo que ele usasse drogas pesadas me chamasse de idiota por tentar ajudar a ele próprio, e não deixar ele se suicidar. - ela fez mais uma pausa e depois continuou tirando uma mexa de cabelo da frente do olho que enxergava normalmente - A vida, meu caro, é uma belo e imenso coco. Ela é dura, difícil, cai na sua cabeça de repente sem você esperar e te deixa tonto, mas com as armas certas, a gente aprende que tem sim um suco que podemos tomar, que podemos saborear e sorrir. As vezes o suco não é tão doce, mas ela te trará sucos melhores se você souber tirar da carapuça dura dela.
Eu estava com uma lágrima nos olhos quando ela acabou de falar.
- E como você sabe disso tudo? Parece que me conhece tão bem...
- Eu vejo isso na vida. - ela apontou para o olho branco - Agora vá com Deus e aproveite o seu suco. - ela disse e desceu do ônibus assim que o ônibus saiu do túnel.
A máquina de transporte continuou o trajeto se passou em frente a praia, onde vi vários coqueiros altos balançando com a brisa. Agradeci, talvez aquele fosse um dos meus sucos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Missão dos Ciclos 5

- O que são essas medalhas que você tem na mão? - Daniel criança perguntou para o mais velho depois de acordar.
- Pode chamar de lembretes, ou prêmios por ter feitos coisas boas. - o mais velho respondeu entendendo quase tudo que se passava.
- Vou ganhar uma dessas?
- Talvez. Depende de você.
O menino se levantou e viu a bandeja com frutas que de alguma forma sabia que era dele. Então começou a comer.
- Sabe... Sei dos seus problemas... - o companheiro falou.
- Do que você está falando? Dos besouros? - o companheiro mais velho fez que sim e ele continuo - Estou realmente chateado por causa disso, se pudesse sumia de vez só para saber o que eles acham disso.
- Eles sentem sua falta. Principalmente sua mãe e Judite.
O menino assentiu mastigando o pedaço de manga e depois falou.
- Foi você que me salvou do acidente de carro?
Daniel, o companheiro mais velho não se lembrava de nenhum acidente de carro e então a voz de Jardel soou na sua cabeça uma última vez.
Agora é o momento que você pode influenciar as decisões dele. Essa a única chance que você terá. Se conseguir, receberá uma medalha com seu próprio nome e poderá mudar de nome e assumir o papel de companheiro, mas caso não consiga, sua missão cíclica encerra.
- Quem sabe? - fez uma breve pausa vendo a criança comer - A gente sempre fica chateado com essas coisas não é? Mas posso te falar, isso tudo passa, você terá momentos bons depois. Venha comigo, sua primeira missão vai acontecer agora.
Eles então foram projetados no local que Daniel mais velho sabia que era o episódio do gato. A versão dele criança não se importou em já pedir para salvar o gato e então entendeu a importância das suas decisões. Logo depois, o episódio de Judite aconteceu, mas eles viam de dentro da casa dela. A criança relutou, mas tomou a decisão sabia e ganhou uma medalha.
O companheiro se sensibilizou ao ver aquilo tudo e decidiu ir para a decisão do cometa. Explicou brevemente o que aconteceria e depois deixou a criança escolher.
- Quero... Quero... Salvar todo mundo. Que esse cometa desapareça e nunca mais esse tipo de coisa aconteça com o nosso planeta salvando todos os meus amigos, minha mãe e Judite. Quero poder voltar para eles.
O Daniel adulto estalou os dedos e tudo aconteceu. A criança via o brilho acontecer e então perguntou.
- O que está acontecendo?
- Você mudou o ciclo, dessa forma, poderá voltar para sua casa e viver feliz. Parabéns.
- Posso saber seu nome antes?
- Jardel. - ele disse depois de hesitar. Preferiu mudar o nome para a criança achar que não era a mesma pessoa.
Daniel criança voltou para casa e correu para abraçar a mãe e brincar com os amigos como se nunca tivessem existido os besouros. O novo Jardel então sorriu e entendeu o propósito daquilo tudo e sorrindo desapareceu na luz.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Encontrei

Fim de ano... acho que muitas pessoas adoram as férias por causa do tempo vago que podem fazer tudo que desejam, ler os livros pendentes, não ter que estudar para graduações, não ter nenhuma obrigação - nenhuma mesmo -. Mas não pra mim, eu sou o que chamam de Workaholic, ficar sozinho em casa não é bom para quem é viciado em trabalho. Meu psicólogo tirou férias - se ele consegue, eu consigo também.
Como sou viciado em leitura - começo a pensar que para um jovem adulto tenho muitos vícios... Mas pelo menos eles não são nocivos - li todos os livros que tinham pendentes. Detesto praia - mais um motivo para ficar preso dentro do trabalho -. Vídeo games não me atraem tanto - talvez por eu jogá-los ao ponto que em uma semana acabo com o que é possível ser feito. - Realmente acho que tenho vícios demais para minha idade.
Foi por isso que entrei no bar que tinha aberto para o verão. Por ser novo ainda estava meio bagunçado, mas como o dono precisava da grana, abriu e arrumava tudo ao mesmo tempo - me identifiquei - sentei-me ao balcão e pedi uma dose do uísque da casa - não que quisesse me tornar alcoólatra, isso de fato não tinha problemas. Mas quis tomar uma dose para relaxar.
O garçom - acho que se chamava Jarbas - me serviu com as acrobacias e dei a primeira golada. Ele serviu outra e perguntou se eu era forte para aquilo. - não queria carregar ninguém para fora dali hoje - parei e olhei em volta até que vi um homem que parecia ser mais velho que eu sentado a poucos metros de mim. Ele segurava um copo com um líquido transparente - não dava para identificar se era água, cachaça ou vodca - e por isso me sentei ao lado dele.
Ele emanava uma energia diferente do resto do bar - não que eu seja sensitivo ou seja medium, mas ele também não era tão comum como eu.
- Muita coragem em beber vodka pura. - puxei assunto. Ele riu mostrando os dentes meio amarelados e ajeitou a blusa bege e depois passando a mão na bermuda sem bolsos marrom. Quem usa bermudas sem bolsos hoje em dia?
 - Por que não viajas? - sério que ele usou a segunda pessoa do singular? Que homem exótico... - A propósito é água isso aqui. - enfim sorriu de novo.
- Porque... - não tinha nenhuma resposta.
- Vai te fazer bem. Compre um livro na livraria ali ao lado - apontou na direção de onde eu sabia que tinha uma livraria e eu vi que suas mãos tinham machucados.
Fiz uma pausa e analisei a figura afável que estava diante de mim. Não falo com estranho, mas com ele falei, não disse nada sobre minha vida, e ainda recebi um conselho que pareceu vir de um amigo de infância.
- Você é... Nos conhecemos de algum lugar? Não que eu esteja interessado em você, mas sua sugestão...
- Sou alguém como você. Gosto de ajudar as pessoas com meu trabalho e reparei que você ainda está de crachá, logo, deduzi que estava tenso com trabalho, porque sei que essa empresa é longe daqui. Ninguém, mesmo com a maior benevolência viria tão longe para entrar nesse bar. - ele disse sem ser rude, porém tinha me interrompido e feito uma analise.
Assenti calado e me sentei ali mesmo ao lado dele. Ele pareceu sentir algo e falou.
- Não tente salvar tantas pessoas de uma vez, as vezes, seu barco tem um limite. Respeite seu limite.
Ele se levantou, pagou a água e saiu caminhando porta a fora com calma emanando uma luz metafórica. Então Jarbas falou.
- Senhor? Está tudo bem? Você se levantou e começou a falar sozinho, estava vendo alguém?
Então me liguei que o quer que tenha sido, poderia não ter sido real. Uma alucinação dentro de um bar? Talvez.
Todavia quem quer que tenha sido, acalmou as borboletas do meu estômago, e de quebra, me deu uma coisa que não tinha pensado ainda. Resolveu meu problema - quase um milagre - fiz como ele tinha dito: paguei a conta, comprei um livro na livraria - que depois descobri que era um sebo - e fui para casa comprar uma passagem para o local que minha família morava, sentia falta deles, porém não queria aceitar isso. Eu agora era diferente, era melhor.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Missão dos Ciclos 4

- Se você fizer a próxima tarefa com habilidade poderá ganhar a quantidade de medalhas que lhe falta para o grande prêmio.
- E qual será? - o menino estava mais interessado do que de costume.
- Venha comigo. - Jardel estalou os olhos e eles apareceram numa sala.
Daniel olhou em volta e percebeu vários computadores com números complicados na tela e um grande círculo. Ele se aproximou e leu: ASTERÓIDE! Na mente dele tentou se lembrar o que a palavra significava. Olhou para Jardel e perguntou o que era. O companheiro então falou.
- É um cometa.
- E está vindo para a Terra? - fez uma pausa e viu Jardel movimentar a cabeça positivamente.
Ele agora precisava pensar num plano. Então uma sirene começou a soar e ele ficou nervoso. Olhou para Jardel e falou.
- O que eu faço? - não teve resposta - Quero que um lixo espacial atrase essa coisa! - disse sem pensar.
Jardel fez uma cara de lamentação e na tela o asteroide ficou ainda maior pois com o lixo espacial ficou ainda maior. Ele começou a chorar e então falou gritando.
- Quero ver quem vai ser prejudicado com a queda dele!
Jardel então mostrou, os amigos que tinham colocado os insetos no estojo e caderno dele. Mostrou Judite e a mãe dele conversando na praça. De primeira ele ficou tremendamente irritado e fechou os punhos, mas a ira cessou quando viu Judite sorrindo para a mãe dele e tomou a decisão.
- Quero que o cometa...
Então ele foi interrompido ao ver o olhar curioso dele na janela na direção do cometa em forma de cotonete.
- Quero me salvar! - ele disse sem hesitar. - Mas quero que todas as pessoas que conheço sejam salvas por causa dessa decisão!
Jardel então sorriu e começou a emitir um brilho tão forte que Daniel levou as mãos aos olhos e quando abriu novamente se viu envelhecido no reflexo no chão da sala branca que estava com uma cama.
Deitado sobre ela, viu sua figura mais jovem e olhou em volta e viu Jardel sorrindo para ele.
- Parabéns pela decisão mais sabia que você já fez. - e sumiu no ar soando a voz que se dissipava no ar. - agora vá e ajude ele que um novo ciclo começará. Você se tornou um companheiro de luz agora, continue esse trabalho que você sabe que é capaz de fazer.
Daniel sorriu e colocou as mãos no bolso tirando a última medalha das suas missões e então esperou a versão dele mais jovem acordar.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ritmo gostoso

Ela entrou na pista de dança desviando dos drinks e das pessoas tontas. Era tarde e muitas pessoas não sabiam nem mais quem eram, só sabiam que no dia seguinte teriam ressaca e por isso aproveitavam a noite como se fosse a última. Tomando cuidado para não caírem nela, ela desviou de mais uns bêbados, até que um fã apareceu.
- Não acredito! Samanta Cley na pista de dança? - ele falou mostrando que estava em algum grau longe do sóbrio.
- Não querida. To no meu camarim! - Samanta disse com sua voz anasalada e saiu andando até subir no palco.
Cada degrau foi pisado com calma e um segurança de terno a recebeu.
- Deixa que eu te acompanho. - ele a deixou passar enquanto falava e então seguiu.
Entrando no camarim.
Cley começou a falar.
- Detesto isso de chegar depois da hora, nunca respeitam espaço. - ela comentou dos fãs e de coisas largadas na penteadeira.
Começou a mexer nas maquiagens importadas e tirou a peruca para começar a se preparar para o show.
- São seus fãs, deveria tratar com mais respeito.
- Tem razão, mas mesmo assim... São uns idiotas! - ela já estava maquiada, mas precisava retocar e trocar de roupa.
- Qual será a performance de hoje, senhorita?
- Ritmo gostoso. - ela colocou a peruca laranja estilo egípcia. - O que acha?
- Acho que você vai mandar muito bem, como sempre. - ele fez uma pausa e continuou - Deixe eu perguntar, poderia dormir comigo essa noite?
Samanta ficou surpresa, porém emocionada. Sempre teve um sonho de poder ficar mais próxima de Felipe, o segurança da boate que ela começou a frequentar quando começou a trabalhar como Drag Queen.
- Seria um prazer. - ela disse saindo para o palco.
O DJ da noite parou a música e todos olharam para o palco curiosos. Ela colocou a perna para fora da cortina e começou a música e as cortinas abriram. Ela piruetou e com um jogo de braços de um lado para o outro levou a platéia ao delírio. E para o clímax da performance todas as luzes da boate apagaram e acendeu umas quatro lâmpadas no palco em forma de quadrado com cortinas de fumaça sendo lançadas com feixes de luz multicoloridos.
Ela entrou no quadrado e bateu o pé subindo uma tela de vidro subiu formando uma caixa. Então uma fumaça começou a sair dos cantos da caixa, quando a fumaça passou ela não estava mais na caixa arrancando aplausos dos mais escandalosos da platéia, encerrando a performance com chaves de ouro.
Dali em diante a noite ocorreu bem e ela foi para casa acompanhada por Felipe, que já estava sem terno. Chegando em casa removeu toda a maquiagem, e se deitou para dormir realizada.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Só por uma noite

Eles disseram para eu correr para debaixo do rabo da saia da minha mãe. Sabiam que tinha medo, eu tremia toda, dos pés à cabeça.
Quando toquei no vidro verde da janela do cemitério, o silêncio tomou conta do meu corpo e do ambiente etéreo e sinistro - como sempre eu temi -. Mas graças aos meus problemas de foco me salvaram e pude respirar um pouco aliviada, até lembrar que ela, minha querida mãe, não vivia mais e tinha que ser forte, porém não conseguia. Achava que não conseguia.
Ouvia sinos e risadas tristes naquela noite de verão quente com chuvas rápidas e fugazes, que não chegavam a alagar nem as menores das poças, quando vi minha mãe pela última vez. E eu ouvi a voz dela, tão clara como o dia:
Você tem que ser forte, Helena. Só por uma noite!
Então ela adentrou na sala para nunca mais sair. Se não fosse pelo ambiente branco e o cheiro de desinfetante eu saberia que tiveram muitos mortos naquele lugar, afinal era um hospital.
Temia a morte. - acho que sempre temi, na verdade - Vivi poucas e boas com minhas amada mãe e ela me ensinou valores que hoje passo para você. Podem não ser de tanta importância para você, não obstante ainda ajudam àqueles que desejam ouvir uma palavra.
Os dias que transcorreram foram sem brilho. Visitava todos os dias o cemitério. O coveiro já me conhecia e me cumprimentava cordialmente todas as vezes sabendo que não podia me tocar, mas mesmo assim a vida continuava cinza e sem graça porque não ria mais.
Até um dia entrar naquela loja de conveniência do cemitério para comprar um isqueiro, para acender uma vela para minha mãe e conheci Oscar naquele dia.
Um homem espirituoso e devoto do bem. - pelo menos foi o que pareceu. - Quando decidi o isqueiro que compraria ele me informou que a marca não era muito boa. - mencionou algo sobre ter fumado no colégio - E me sugeriu uma boa marca. Acatei o pedido e comprei, os dias passaram e começamos a nos falar, ele caminhava entre as lápides sempre às 15h e sempre nos encontrávamos - inclusive em dias chuvosos, porque ele trabalhava ali e aquele era o horário de almoço dele.
Quando ele me convidou para um encontro, já tinham passado alguns meses depois da morte na minha mãe. Relutei e aceitei. - mesmo que no dia seguinte me arrependesse.
Dias depois do primeiro encontro, ele segurou minha mão para me beijar, mas eu corri igual a uma menina do colegial assustada. - muito assustada. Queria o rabo da saia da minha mãe.
Na mesma noite deste último evento, sonhei com minha mãe, usando um vestido brilhante e dourado, sorrindo afavelmente para mim e parada no meio do corredor que era do antigo colégio que estudei na minha época de colegial. E depois de abraçar a perna dela ouvi alto e claro como como o dia.
Você tem que se concentrar, você tem que ser forte, Helena. Só por uma noite!
E acordei.
No dia seguinte, encontrei com ele e depois de agir como se não tivesse acontecido nada, ele segurou minha mão para pedir desculpa. E eu o beijei feliz. As nuvens abriram no céu e respirei aliviada por saber que minha mãe tinha razão. - elas sempre têm.
Fui brava, fui forte, fui eu mesma e feliz fiquei. Dali em diante continuamos vivendo nossos dias juntos esperando que as coisas mudassem.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tradicional


O tradicional muda. E isso pode ser dito com toda a certeza do mundo.
Esses dias, de dentro do ônibus, enquanto voltava para casa, vi um anúncio da marca Leite de Rosas com dois rapazes abraçados que falava que os produtos eram para todos os tipos de famílias e no seu canto tinha uma data que informava a existência da marca desde 1929. O que me fez, assim como os homens de laranja também fizeram, cair em uma profunda reflexão sobre como tudo, sem exceção, tem que mudar. 
Elas mudam porque são obrigadas. Claro que para melhor, e, porque precisam, mas também porque eram outros tempos. Eram outros tempos. 
Fazendo uma recapitulação dos muitos séculos passados: os guerreiros tinham um incentivo a terem relações entre si, para que assim, algum afeto fosse gerado e dessa forma o desenvolvimento em batalhas seria muito melhor - para protegerem uns aos outros etc.
Caminhando para mais perto no tempo, chegamos às marcas atacando com força incentivando consumo: não pense, não fale, compre, beba, não leia e consuma... Não se esqueça, use, seja... Elas escravizaram muito mais do que muitos homens - simplesmente por poderem durar mais de 100 anos, diferente de nós -. Mas graças a alguém, cujas intenções eram boas, evoluímos para o não aceitar tudo de toda forma nessas propagandas, obrigando as a mudarem suas estratégias e focando mais em atingir de forma sutil o comum: a família, afinal, todos tem uma.
Novamente avançando no tempo, as famílias foram se transformando - pelo menos é isso que querem acreditar, porque já acontecia, só não explicito - homens e mulheres assumiram seus amores por eles próprios e seus semelhantes e ocuparam espaço - e que espaço -. Por fim, as marcas se adaptaram abraçando esses guerreiros enquanto muitos ainda pregam discursos de ódio. Mesmo não sendo o real foco, a mensagem deixa muitas coisas abertas a interpretações das mais variadas. Então façamos como as marcas, vamos pregar o amor para todos - porque é o que todos querem -. E isto posso afirmar com toda a certeza, pois o tradicional muda.